OPINIÃO
03/12/2015 20:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

É hora de escolher alimentos sustentáveis

O sistema alimentar como um todo - que inclui agricultura, processamento e transporte de alimentos - contribui com algo entre 20%-30% dos gases causadores do efeito estufa produzidos pela civilização - mais que qualquer outro setor, com exceção do de energia.

Dougal Waters via Getty Images
Close up of hand holding tomatoes.

Quando os negociadores internacionais reunidos em Paris se sentarem para o jantar, poderão refletir sobre o impacto da sua refeição sobre o clima.

De fato, em meio a uma crescente - e animadora - conversa global sobre como lidar com a ameaça comum da mudança climática, os níveis mais altos dos governo têm prestado muito pouca atenção no impacto que nossas dietas e práticas agrícolas têm sobre as emissões de carbono.

Em outras palavras: se estivermos falando sério sobre mudar o clima, temos de encarar seriamente a mudança na agricultura.

O impacto climático das comidas processadas e da agricultura industrial - baseadas em combustíveis fósseis e, não por acaso, extremamente pouco saudáveis - ainda é pouco levantado nas discussões sobre o clima, que se concentram essencialmente em usinas de carvão, refinarias de petróleo e veículos motorizados.

Mas, embora a energia seja de fato a maior fonte de emissões de gases causadores do efeito estufa, o sistema alimentar vem em segundo lugar. As melhores estimativas disponíveis sugerem que o sistema industrial de agricultura e criação de animais responde por até um terço de todas as emissões que causam a mudança climática.

As raízes dessa situação estão em décadas de agricultura não-sustentável, consumo excessivo de carne (mais de um quarto das terras do planeta são usadas, direta ou indiretamente, para criar animais para consumo humano), monoculturas e o sobreuso de fertilizantes à base de nitrogênio. Como já apontei:

Aproximadamente um terço do carbono [agora] na atmosfera estava sequestrado no solo, na forma de material orgânico, mas desde que começamos a desflorestar e a preparar a terra para o plantio, estamos liberando enormes quantidades desse carbono na atmosfera...

O sistema alimentar como um todo - que inclui agricultura, processamento e transporte de alimentos - contribui com algo entre 20%-30% dos gases causadores do efeito estufa produzidos pela civilização - mais que qualquer outro setor, com exceção do de energia.

Além disso, essas emissões têm forte correlação com comidas e dietas que hoje sabemos ser muito pouco saudáveis.

A comida industrial, especialmente a carne industrial, contém pesticidas, hormônios e antibióticos que podem contribuir para muitas doenças. A chamada "dieta ocidental", que inclui grandes quantidades de carne e comidas altamente processadas, é associada a altos níveis de obesidade, diabetes tipo 2 e câncer.

Em contraste, populações que se alimentam essencialmente de plantas e comidas não processadas têm índices muito mais baixos dessas doenças.

O que podemos fazer? Simples: podemos fazer uma escolha - uma escolha que vai beneficiar nosso planeta e nossa saúde. Discuto essas questões - e essas escolhas - num novo documentário, Time to Choose (hora de escolher, em tradução livre), que estará disponível no Huffington Post a partir do início da conferência da ONU sobre mudança climática, em Paris.

Ou continuamos nos alimentando usando milhões de litros de combustíveis fósseis para produzir fertilizantes sintéticos e pesticidas para manter as monoculturas que sustentam o sistema alimentar atual ou então escolhemos a agricultura orgânica moderna e regenerativa.

A boa notícia é que, graças às inovações dos agricultores mais criativos, sabemos como fazer as coisas direito.

Podemos produzir comidas mais saudáveis e ao mesmo tempo podemos manter o carbono no solo - carbono retirado da atmosfera, portanto ajudando a reverter a mudança climática.

Agricultores, consumidores, empreendedores e líderes do mundo todo começam a implementar a agricultura sustentável em grande escala. Mas ainda há muito a fazer - e, quanto mais gente entender os desafios e as soluções, mais perto estaremos de um sistema alimentar realmente sustentável.

Espero que nossos líderes olhem para seus pratos com cuidado enquanto estiverem em Paris, e que percebam que uma parte crucial da solução para o clima está espetada em seus garfos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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