OPINIÃO
04/06/2014 09:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Com um telefonema, vamos impedir que grandes empresas continuem mandando na política brasileira

Nas eleições que antecederam à Copa do Mundo, a empreiteira Andrade Gutierrez se tornou repentinamente muito generosa. Aumentou em 500 vezes suas doações para fundos eleitorais, de acordo com investigações da Associated Press. Apenas dois anos depois, é fácil compreender o que motivou esse súbito interesse pela política. A Andrade Gutierrez é uma das duas empresas responsáveis pela construção do Estádio Mané Garrincha, o segundo estádio mais caro já construído no mundo - e numa cidade como Brasília, que sequer tem um grande time de futebol...

Além do superfaturamento explícito na construção do estádio, pago com dinheiro público, o governo brasileiro inexplicavelmente falhou ao não cobrar os $35 milhões de multa ao consórcio de empresas envolvidas na construção do estádio como descrito no contrato em casos de atraso na entrega da obra. Será coincidência?

A Andrade Gutierrez não é a única empresa a se beneficiar de uma legislação falha que permite que grandes corporações coloquem dinheiro em nossa política. Nas últimas eleições, por exemplo, 98% das doações de campanha dos dois principais candidatos à presidência, Dilma Rousseff e José Serra, vieram de companhias.

A coisa ficou tão feia que, hoje, 95% de todas as doações para campanhas vêm de grandes empresas. Enquanto essas mega corporações tiverem acesso privilegiado à política, nossos votos vão se tornar cada vez menos significativos.

Nesta terça-feira, 3, a Avaaz deu a 100.000 dos seus mais de 6 milhões de membros no Brasil uma missão: acabar de uma vez por todas com esse abuso da nossa nossa democracia. Pedimos a eles que escrevessem e ligassem para os líderes partidários do Senado que estão decidindo, neste momento, se colocarão em votação essa proposta, que mudará as eleições para sempre. A nova lei impediria grandes empresas de doar para campanhas eleitorais -- um passo simples, mas que acabaria de um vez por todas com seu domínio sobre nossa política. Em menos de uma hora, os senadores Humberto Costa (PT), Eunício Oliveira (PSDB) e Wilder Moraes (DEM) receberam mais de 2 mil emails pressionando-os a colocar o projeto de lei em votação.

O projeto de lei foi escrito pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B) e está pronto para ser votado, mas um pequeno grupo de senadores tem tentado atrasar sua consideração pela Casa. Nossos contatos no Congresso dizem que há uma chance de que conseguiremos pressioná-los a votar a medida na próxima semana, mas apenas se insistirmos o suficiente.

Essa lei poderia dar um fim em gastos públicos irresponsáveis e encaminhar o dinheiro de nossos impostos para obras de real interesse do povo e não das grandes fortunas. A poucos dias da Copa do Mundo, e com a mídia internacional chegando aos hotéis, retirar as corporações de nossa política pode ser um legado muito mais poderoso do que um grande estádio acumulando pó. Mas depende de nós fazer isso acontecer. Aqui estão os contatos dos senadores, ligue para eles você também!

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