OPINIÃO
13/06/2014 15:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Na semana da Copa, um tapa na cara de todos os brasileiros

Wikimedia Commons

Esta semana a Justiça de Minas Gerais autorizou a transferência do assassino Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo, para um presídio em Francisco Sá, no norte do estado de Minas Gerais. Na semana onde - pra o bem ou para o mal - o futebol brasileiro está no centro dos holofotes mundiais, uma triste notícia vem dos gramados. A recondução a liberdade de um assassino condenado a 22 anos de prisão pode ser via futebol, esporte cujo papel de transformação social sempre foi motivo de orgulho para os brasileiros.

Desde fevereiro, Bruno mantém contrato com o Montes Claros Futebol Clube, um time da segunda divisão do campeonato mineiro. A transferência para o norte do estado é uma tentativa de, estando mais próximo do clube, o ex-jogador conseguir liberdade para voltar a jogar, plano que começa a ser concretizado quando o condenado deixar o presídio de Contagem, na região metropolitana de BH.

Quando assinaram este contrato, o time e o ex (ou seria futuro?) goleiro iniciaram uma afronta a todos os brasileiros.

O time, por considerar o assassinato de uma mulher crime "menor", menos valioso do que as vitórias que o clube pode conseguir em meia dúzia de campeonatos de futebol.

E Bruno por, segundo o que apurou uma extensa investigação policial, premeditar e ajudar a executar com requintes de crueldade o homicídio de uma mãe, ocultar seu cadáver, cujo paradeiro continua desconhecido e, mesmo assim, se acha digno do esporte que é maior paixão dos brasileiros.

Alguns podem dizer que o ex-jogador tem direito a se ressocializar, a se reinserir na sociedade, a construir sua vida nova tão logo a sua "dívida" judicial esteja paga, como qualquer preso "comum". Mas não, Bruno não é um preso "comum". Bruno era (e, infelizmente ainda é) um ídolo. Um ato de tamanha crueldade vindo de uma pessoa adorada por milhares ajuda a banalizar, vulgarizar a violência contra a mulher. Essa é uma responsabilidade pela qual ele não será julgado, mas que causa um estrago tão grave quanto o crime pelo qual foi condenado. A sua soltura prematura seria outro atentado àqueles que condenam todas as formas de violência contra a mulher.

Além disso, Bruno não cumpre o primeiro requisito para que a sociedade - através de sua justiça - possa perdoá-lo: não demonstra arrependimento pelo crime que cometeu. Um Bruno arrependido teria dado informações sobre como Elisa Samudio foi morta, em que circunstâncias o crime foi planejado, possibilitando a preservação da memória da vítima e de sua família. Um Bruno pronto para recomeçar a sua vida teria dado informações sobre o paradeiro do corpo de Elisa, permitindo que uma mãe possa enterrar sua filha, e que uma criança tenha, no futuro, um lugar para revisitar a memória de sua mãe. Um Bruno que mereça a ressocialização permitiria que esta família finalmente encerre seu luto e siga em frente. Mas não, Bruno preferiu o silêncio e as negativas, mesmo quando a sua condenação se mostrava inevitável.

Enquanto o corpo de Elisa continuar desaparecido, Bruno continua a afrontar toda a sociedade, se não do ponto de vista legal, sob a perspectiva ética e moral.

Enquanto o corpo de Elisa continuar desaparecido e as circunstâncias de sua morte não forem totalmente esclarecidas o sofrimento de sua família continua.

Enquanto o corpo de Elisa continuar desaparecido, Bruno continua a ser um criminoso, e nos gramados não deveria haver espaço para criminosos.

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