OPINIÃO
06/11/2014 17:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

A banalização da demissão: funcionário do Google anuncia demissão por vídeo

Está virando moda. Aliás, já virou. Surgiu mais um caso de funcionário que registra sua demissão em vídeo e publica no YouTube. Mas esse é um caso diferente, trata-se de alguém que decidiu sair do Google, que é considerado pelas pesquisas como o lugar dos sonhos para se trabalhar.

google i quit

Michael Peggs escreveu um artigo que foi publicado no Huffington Post, onde apresenta as suas razões para sair do Google depois de quatro anos de trabalho. Em resumo: acomodação e desejo de fazer algo diferente. Ele começa o artigo dizendo que ganhou o "golden ticket" ao entrar na empresa. Michael não deixa de valorizar os benefícios que o Google oferece aos funcionários, como comida farta grátis, massagistas e outras coisas mais. No entanto, isso tudo não foi capaz de criar um sentimento de realização.

Para complementar o artigo, ele fez um vídeo chamado "Google, I quit!" e publicou no YouTube. No vídeo, ele passeia pelas instalações do Google mostrando todos os confortos e regalias, quase sempre de patinete, e termina dando um "Goodbye Google. Thanks for everything!".

O caso acima não é apenas inusitado por envolver o Google, mas também porque o ex-funcionário deixa o emprego agradecendo a empresa de forma bem humorada. Ou seja, é um vídeo com final feliz, não existe rancor, apenas agradecimento. O mesmo aconteceu recentemente com o Rafael, que ao decidir sair da IBM Brasil resolveu registrar e justificar sua saída através do seu Farewell Blog Post, com um post bem humorado e criativo, deixando claro que "ama a IBM".

A verdade é que os dois casos citados não são comuns. Posts e vídeos de demissão postados na web são quase sempre de pessoas infelizes, no limite da paciência, que chutam o pau da barraca e resolvem escancarar o lado mais perverso de seus antigos empregadores. Mesmo considerando que muitos de tais vídeos são criativos, com mensagens duras, mas divertidos.

O caso mais legal que conheço é a da jovem Marina Shifrin, que pediu demissão da empresa em 2013 através de uma forma completamente diferente. Ela postou um vídeo no YouTube com uma dança bem pessoal e criativa. Aliás, o antigo empregador alegava que ela não era criativa, daí ela partiu para esse vídeo ousado e diferente. O vídeo se tornou hit na web e ganhou destaque pelo mundo.

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O caso é divertido, mas tenho muitas perguntas sem resposta: Como pode uma pessoa ter a ousadia de se expor dessa forma? Isso ajuda ou não ajuda na formação de sua personalidade e exposição pública? Será que a "dancinha da demissão" beneficia ou atrapalha a sua busca por um novo emprego? Este caso se tornou único porque a empresa resolveu responder a demissionária da mesma forma, ou seja, através de um vídeo. Escrevi sobre ele detalhadamente no post chamado "Funcionária pede demissão dançando, a Empresa dá o troco e os dois vídeos são vistos por milhões de pessoas".

O que me chama atenção nos vídeos de demissão na internet é a "banalização da demissão". Já escrevi sobre isso antes nesse blog. Até anos atrás, se demitir de um emprego doía no coração, abalava a autoestima, exigia reflexão e planejamento, era quase um tabu. Quase sempre tratávamos demissão como algo perverso e ruim. Hoje falamos em sabático, cabeça aberta e satisfação pessoal. A demissão se banalizou. Graças a Deus :)

Nos dias de hoje, a demissão ficou menos importante, parece ser algo natural, corriqueiro, como um almoço ou uma ida a esquina. O "pleno emprego" e a "carreira longa na mesma empresa" estão em extinção. Apesar de tudo, por que a necessidade de expor publicamente uma demissão? Quais são as motivações por trás desse comportamento? Os casos conhecidos são aqueles que ganharam maior reverberação pública, mas certamente existem milhares de situações que acontecem pelo mundo e que acabam não ganhando tanta notoriedade na web.

Além dos dois casos citados acima, o divertido blog Distractify apresenta 14 casos surreais e folclóricos de pessoas que pediram demissão pelo mundo. Vale a pena ver. Quem sabe você não cria algo diferente :)

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