OPINIÃO
18/11/2014 10:57 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Caminhadas urbanas: 7 razões para andar a pé pelo centro do Rio de Janeiro

Se a Zona Sul do Rio está no nosso imaginário coletivo pelas praias, bares, bossa-nova e o calçadão, o centro da cidade maravilhosa tem algo ainda mais fundamental: foi ali que nasceu a cultura urbana brasileira. Afinal, havia uma época em que o Rio era o Brasil e o Brasil era o Rio.

Todo brasileiro que visita o Rio deveria conhecer a região central. Se a Zona Sul do Rio está no nosso imaginário coletivo pelas praias, bares, bossa-nova e o calçadão, o centro da cidade maravilhosa tem algo ainda mais fundamental: foi ali que nasceu a cultura urbana brasileira. Afinal, havia uma época em que o Rio era o Brasil e o Brasil era o Rio. Caminhar a pé pelo centro é mergulhar nessa história.

Casario na Saúde

1. O encontro com a história do Brasil

Quase todo mundo que a gente conhece dos livros de história andou por ali, em carne e osso. O Rei D.João VI e toda a monarquia portuguesa e brasileira. Os militares que proclamaram a república. Os políticos que vinham de todo os cantos para a capital. Machado de Assis, passeava pela rua do Ouvidor a caminho da Academia Brasileira de Letras. Getúlio Vargas. Os cronistas, artistas, jornalistas que deram voz à nossa expressão nacional. É lá que está o Teatro Municipal, onde nasceu o moderno teatro brasileiro, com a peça Vestido de Noiva. Foi na Candelária que houve o maior comício do Brasil pelas Diretas-Já. Cada um vai ter sua história favorita.

O Barão de Mauá, em estátua na frente à Associação Comercial do Rio de Janeiro, também andou por ali,

2. Gente

Para muitos - e para mim, com certeza - a melhor parte da caminhada é ver as pessoas. Afinal, o Rio inaugurou a multidão no Brasil. E como há gente! É um burburinho frenético de gente vendendo, andando, comendo e conversando em voz alta. Só não vá ao centro à noite ou nos finais de semana. Quase ninguém mora ali; então, a região fica vazia fora dos horários de expediente. A exceção é a Lapa, em que os bares ficam cheios até de madrugada em qualquer dia da semana.

3. O patrimônio histórico e a arquitetura

Dá para perder o fôlego no Real Gabinete Português de Leitura

O caminhante não fica sem assunto nessa região. Dos incríveis Arcos da Lapa, ao maravilhoso Teatro Municipal, o passeio tem sempre uma surpresa. No Paço Imperial dá para imaginar a família real passeando boquiaberta pelos seus domínios tropicais. No prédio do antigo MEC vale a pena olhar para os seus vizinhos, construídos na mesma época, para entender porque ele é um ícone da arquitetura moderna.

O bem sucedido projeto da prefeitura, o Corredor Cultural, ajudou a preservar os lindos conjuntos de sobrados do final do século XIX e início do século XX. Além disso, estão lá a Praça Tiradentes, a Biblioteca Nacional, o Mosteiro de São Bento e uma infinidade de outras preciosidades. O Rio tem mais de 3 mil prédios tombados e mais de 20 mil protegidos.

Rua da Carioca

4. A surpresa das ruas, das calçadas e dos largos

O centro oferece um cardápio irresistível de morfologias para o caminhante. Na Avenida Rio Branco, cortada na época de Pereira Passos, as marquises trazem sombra bem-vinda no calor e proteção na hora da chuva. Virando algumas esquinas, as calçadas larguíssimas e confortáveis dão lugar a ruas estreitinhas, com os prédios em escala menor, lojinhas e mais pedestres. De repente, uma surpresa: um largo. Os largos, como o movimentado Largo da Carioca, quebram a monotonia de qualquer traçado urbano, criando espaços próprios para um encontro e estão por toda a parte.

O comércio tem mais surpresas. O Saara, com todo tipo de quinquilharia. As vitrines modernas em prédios antigos. Uma livraria cheia na hora do almoço, onde mais? Mas o melhor é descobrir as pequenas lojinhas antigas, o cara que conserta eletrodomésticos, a loja de guarda-chuvas e até ... uma loja de chapéus!

As surpresas do comércio

O destaque talvez seja a rua do Ouvidor, segundo Joaquim Manoel de Macedo, a "mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro". Era lá, dizem, que Dona Leopoldina fazia suas compras. Foi lá que foram instalados o primeiro telefone, a primeira vitrine, o primeiro cinema e a primeira linha de bonde da cidade.

5. Os restaurantes e bares centenários

Toda boa caminhada urbana fica melhor quando passa por bons bares. No Rio, dá para tomar uma cerveja em lugares que foram inaugurados enquanto outras cidades ainda nem sonhavam em ser cidades. No Bar Luiz, de 1887, na Rua da Carioca, o arquiteto Dudu, um dos técnicos do IRPH que ciceronearam o passeio ao centro, recomenda a salada de batata e a salsicha branca. Na Lapa, o Bar Brasil está lá desde 1907 e o Nova Capela oferece suas iguarias desde 1923. No critério "baixa gastronomia" o Angu do Gomes, num largo na Saúde, é uma dessas tantas surpresas.

Mas nada se comprara à Confeitaria Colombo, um colosso da preservação do patrimônio e da gastronomia. Num lugar em que já se usou espartilho e chapéus, nem as bermudas dos turistas e os selfies atrapalham a experiência de comer gaufrettes no espaço art-nouveau de 1894.

6. Deixar-se perder

O centro não é uma região tão grande assim. Da Lapa até a Praça Mauá, são pouco mais dois quilômetros em linha reta e mais um voltando para a Praça XV. Ou seja, não há razão para não flanar pelas deliciosas ruazinhas - Alfândega, Ouvidor, da Carioca, entrando em galerias e descobrindo largos e caminhos inesperados - e voltar, quando quiser, ao roteiro original.

7. A redescoberta da Zona Portuária

A enorme operação urbana Porto Maravilha está mudando a cara da cidade e não deixa ninguém indiferente, contra ou favor. A destruição da Avenida Perimetral é um dos símbolos mais marcantes da mudança, pois liberou a vista do mar. No ano das Olimpíadas, será possível fazer uma promenade ao longo do cais, mas hoje já dá para sentir o clima, ir até o MAR (Museu de Arte do Rio), ver a nova Praça Mauá e o pier, onde será inaugurado o Museu do Amanhã.

Em 2016, a nova Praça Mauá e seu pier.

Para terminar, um último trecho leva até o Cais do Valongo, onde foram descobertas o calçamento original do porto em que os escravos desembarcavam, passando pelo jardim suspenso e pela Pedra do Sal, ponto histórico de encontro de escravos e imigrantes e do samba no Rio.

O cais do Valongo

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