OPINIÃO
13/03/2015 16:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Os filmes de HQs e a saturação que está por vir

A mesma fórmula dos quadrinhos está sendo repetida: um universo compartilhado, em que uma ação que ocorre em um filme desemboca em outro. Abarrotando o mercado com um monte de filme que tem ligações mínimas ou grandes, obrigando o telespectador a ver tudo. E quem não viu vai ficar ligeiramente ou incrivelmente perdido.

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Cada vez mais temos filmes de heróis. A bolha vai aguentar?

O que Vingadores 2, Demolidor, Homem-Formiga e Quarteto Fantástico têm em comum, além de serem super-heróis e propriedades da Marvel? São filmes (ou série, no caso do Demolidor) que irão sair ainda neste ano nos cinemas.

Para o ano que vem já temos confirmados Deadpool, Batman v Superman: Dawn of Justice, X-Men: Apocalypse, Suicide Squad, Dr. Strange, Gambit e Captain America 3: Civil War. Hollywood foi tomada pela febre dos heróis.

Na verdade, eles estão ajudando a salvar as bilheterias das grandes companhias.

Cada vez mais somos bombardeados com filmes dos personagens das maiores editoras de quadrinhos dos EUA Marvel Comics e DC Comics. A Casa das Ideias, com o seu Marvel Studios, é atualmente um dos estúdios mais rentáveis do planeta.

De 2016 até 2020 já tem a sua grade de filmes planejada: Captain America 3: Civil War e Doctor Strange para 2016, Guardians of the Galaxy 2, Spider-Man e Thor 3: Ragnarok em 2017, Avengers: Infinity War Part 1, Black Panther e Captain Marvel no ano de 2018 e fecha 2019 com Avengers: Infinity War Part 2 e Inhumans.

A Warner Bros, que detém os direitos cinematográficos sobre os personagens da DC Comics, não deixou barato e já programou Batman v Superman: Dawn of Justice e Suicide Squad para 2016, Wonder Woman e Justice League Part One para 2017, Flash e Aquaman em 2018, Shazam! e Justice League Part Two para 2019 e em 2020 teremos Cyborg e Green Lantern.

Ah, e os direitos dos filmes da Marvel ainda estão divididos com a Fox, por isso teremos MAIS filmes! 2016 nos reserva Deadpool e X-Men: Apocalypse. Em 2017 veremos The Wolverine 2 e Fantastic Four 2.

O Marvel Studios ainda tem Agents of Shield e Peggy Carter passando na TV. Isso sem contar as futuras séries do Demolidor, Jessica Jones, Iron Fist e Luke Cage, que posteriormente se unirão para formar The Defenders, um novo seriado com esses personagens. A Warner/DC tem no ar Gotham, Arrow, Flash, está preparando Supergirl e Titans e sabe-se lá ainda qual série vai inventar.

É coisa demais.

Estamos enfrentando uma daquelas ondas que Hollywood ajuda a incentivar de tempos em tempos. Já tivemos a do faroeste, a dos heróis de ação que eram verdadeiros exércitos de um homem só, entre outras.

Ver seus heróis em uma tela é um sonho antigo de muitos fãs, e a tecnologia atual nos proporciona uma experiência ainda melhor do que quando Superman saiu na década de 70.

Cada anúncio de um filme novo (principalmente da Marvel Studios) faz a internet praticamente rachar no meio. Hollywood, claro, aproveita isso sem nenhum problema. Quanto mais dinheiro melhor. O Marvel Studios é uma empresa que planejou o seu universo cinematográfico com cuidado, sabendo instigar seus fãs.

Mas é aí que reside o perigo. A indústria está repetindo a mesma fórmula que usou nos quadrinhos: um universo compartilhado, em que uma ação que ocorre em um filme desemboca em outro. Abarrotando o mercado com um monte de filme que tem ligações mínimas ou grandes, obrigando o telespectador a ver tudo. E quem não viu vai ficar ligeiramente ou incrivelmente perdido.

Nos quadrinhos isso funcionou só no início, mas depois virou um verdadeiro fuzuê que somente os mais aficionados conseguiam entender tudo.

Do outro lado, temos a Warner e a Fox, que ainda não entenderam como fazer filmes de heróis (com raras exceções). O pior caso é o da Warner, que detém os direitos cinematográficos de talvez os maiores ícones dos quadrinhos. A empresa já enfiou o Batman no segundo filme do Superman (que nem mais é o segundo, teve seu título mudado para virar um novo filme), mesmo depois de afirmar que daria um descanso para o personagem após a trilogia do diretor Christopher Nolan.

De bate-pronto o filme já virou uma ponte para o vindouro longa da Liga da Justiça, sem motivo algum. Provavelmente após o estrondoso sucesso de Vingadores os executivos da Warner não tiveram alternativa.

O caso da Fox é ainda pior. Detendo os direitos cinematográficos de importantes heróis como o Quarteto Fantástico e X-Men, a empresa vai à contramão atual e segue investindo em uma temática dark e realista de seus heróis. O estúdio despreza a origem dos seus produtos, que são as HQs. Eles se preocupam em vender apenas o produto final, na grande maioria gerando um resultado genérico, mas que tem o nome dos personagens ali.

O filme do Quarteto Fantástico é a prova disso, inclusive com os produtores falando que não é um filme de herói, é outra temática.

Atitudes como essas só ajudam a enfraquecer um movimento que tem muito campo para crescer e servem apenas para abarrotar os cinemas com potenciais filmes fracos e que servirão para desgastar a imagem dos heróis. A onda tende a enfraquecer.

Mas o quanto isso vai durar? Os cinemas inundados com praticamente sete filmes por ano levanta a pergunta: a bolha vai durar? O hype? O público vai ter paciência de acompanhar universos interligados ou filmes sem sentido?

Acredito que haverá paciência, mas não por muito tempo. E você?