OPINIÃO
28/10/2014 12:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

A paz e a magia de um lugar chamado Machu Picchu

É difícil explicar como um lugar pode mexer com você. Nunca tinha feito uma viagem que a proposta era essa imersão numa cultura diferente. O escolhido foi o Peru e obviamente sempre associa-se a visita na cidade perdida dos incas: Machu Picchu.

JTB Photo via Getty Images
Latin America, Cusco Region, Peru, Remains of Machu Picchu. (Photo by: JTB Photo/UIG via Getty Images)

É meu primeiro post e queria que ele fosse importante. Talvez eu tenha conseguido, talvez não. É difícil explicar como um lugar pode mexer com você. Bom, vamos por partes.

Sempre gostei de História, das civilizações do passado, antiguidades e todas essas coisas um pouco National Geographic demais, porque citar Discovery Channel é muito clichê. Nunca tinha feito uma viagem que a proposta era essa imersão numa cultura diferente. Enfim, o escolhido foi o Peru e obviamente sempre associa-se a visita na cidade perdida dos incas: Machu Picchu.

Meu tempo era curto, mas o planejamento de alguns poucos meses era grande. Conhecer as ruínas de todo o "Valle Sagrado" em poucos dias, partindo desde a incrível Cusco até o meu destino não era uma tarefa tão simples como se parece; os detalhes são importantes em todo o trajeto. Todo esse roteiro foi como uma grande festa de aniversário, onde desde o começo serviram as histórias como se fossem os aperitivos deste incrível povo peruano. O recheio certamente foi a cultura inca e bom, nem preciso dizer que a cereja do bolo era o meu destino final, certo?

Desembarcado do trem na surpreendente e isolada Aguas Calientes, o clima difere do seco e árido dessa época para selva, diria quase amazônico (afinal, estamos próximos). Era bem tarde da noite, mas ainda possível ver a silhueta das grandes montanhas que rodeavam o local. Só bastava dormir e acordar durante a madrugada para o tão esperado dia.

A fila se formava já desde as 4 horas da manhã, na principal avenida que segue o curso do Rio Urubamba (a outra é da avenida da linha do trem). De crianças a adultos, passando por idosos, turistas e mochileiros de diversas partes do mundo. Todos prontos para cerca de meia hora de subida de ônibus (ou 1 hora e meia a pé), afinal ninguém queria perder o incrível nascer do sol nesse lugar.

Já lá em cima e numa altitude bem mais baixa que o de dias anteriores (cerca de 2.700m), a ansiedade tomava conta deste que vos escreve; eram somente poucos e largos passos até a uma pequena "espiada" do que estava para ser desfrutado nas horas a seguir. Uma pequena fresta depois de longas escadarias de pedra e a primeira visão de toda a cidadela em ruínas é impactante. Sobe-se mais e mais, a fim do melhor lugar na "arquibancada" de ruínas para observar aquilo tudo, ainda não iluminado por completo. Pouco a pouco os primeiros raios de sol despontavam por trás de um pico de uma das montanhas à leste criando um espetáculo único, digno de aplausos e mais aplausos. Cada parte da ruína recebendo luz, pouco a pouco, em cada metro quadrado. É nessa hora que você percebe o quão especial é aquele lugar e sente feliz por estar ali.

Passo a passo, uma nova explicação do guia e diversas descobertas a ser digerida. Como era possível que blocos enormes de pedra fossem trazidos naquela altitude e de onde? Como foram precisamente fixados e encaixados apenas uns sobre os outros? E explicar um destes blocos, com 13 ângulos? Pela tamanha engenharia e complexa arquitetura, é difícil imaginar como tudo aquilo fora construído ao longo de diversas décadas. Tudo ali faz sentido, desde a famosa montanha Wayna Picchu (sempre ao fundo da clássica foto) como a guardiã da cidadela, passando por uma pedra que aponta e reproduz o formato da paisagem ao redor, parecido com um mapa e seus pontos cardeais. Impossível não se impressionar. O seu olho funciona numa espécie de câmera fotográfica automática, onde cada olhar é um clique e uma foto salva na memória. A natureza observada é tão intensa que por muitas vezes duvidei que estava em um local onde viveu uma civilização num ambiente tão inóspito. Há estudos ainda sobre a origem do Santuário de Machu Picchu e outros mistérios a serem desvendados, mas é inegável a energia que aquele lugar traz a cada visitante, mesmo que isso possa parecer "óbvio" demais nas palavras.

Mas sim, esse é um lugar com uma atmosfera incomparável, acredite. Uma prova disso para mim foi numa pausa obrigatória que fiz em um dos cantos da cidade, apenas pra observar a natureza e refletir sobre tudo que estava vendo naquelas horas, sobre o dia que estava acontecendo, sobre a vida. Uma paz que jamais senti em nenhum lugar que estive. Nesse mesmo local, onde havia encontrado e me sentia mais isolado do mundo, passou três casais americanos juntamente com um guia que explicava algumas histórias e decidi observar. Foi quando um deles, bem de idade, parou, tirou o óculos escuros naquele sol fortíssimo e disse a seguinte frase que me marcou: "Já estive em outros lugares considerado maravilhas do mundo moderno, como a Grande Muralha da China, que você percorre alguns tantos quilômetros e não consegue ver o fim, mas isso aqui, este lugar, isso aqui é lindo, é maravilhoso. Não tenho palavras". Faço as palavras dele a minha e mal sabe este senhor que eu estava ali próximo prestando atenção em tudo e também visivelmente com os olhos marejados. Ao sair dali, a sensação era que estava levando comigo algo daquele lugar que não sei explicar, com um sentimento de dever cumprido e um sonho realizado na bagagem.

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