OPINIÃO
01/01/2015 11:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O que o fim de ano tem a ver com respirar?

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O conceito de Prana, da energia vital que tudo permeia e que a tudo faz viver não se limita a entender a respiração como a entrada e saída de ar dos pulmões. Nem tão pouco com a troca de gases por meio do sistema circulatório. O Prana vai muito além, ele é o pulso da vida, expansão e retração.

Tudo o que existe está em movimento, talvez imperceptível do ponto de vista que estamos, como a terra que nos parece parada, mas que vista da Lua se movimenta no espaço e gira em seu próprio eixo. Podemos classificar os movimentos da vida em nosso universo em dois principais, a expansão e a retração. Movimentos de expansão podem ser vistos como inspiração e movimentos de retração como expiração. Segundo a ciência o universo inteiro está hoje em expansão e em algum momento irá se retrair. Possivelmente temos ainda múltiplos universos que se expandem e retraem com seu próprio espaço e tempo criando multiversos. De maneira bem parecida foi representado o ciclo da vida pela mitologia indiana, cada dia do Deus Brahma (deus da criação na trilogia hindú) era uma formação e destruição do universo. Quando Brahma acordava novamente, um novo universo se formava de maneira cíclica. Haveria também uma infinidade de Brahmas formando multiversos.

Sob esse ponto de vista podemos dizer que tudo respira. A nossa respiração do ponto de vista biológico também é feita desta maneira. Quando expandimos nossa cavidade torácica, diminuímos a pressão interna e o ar entra nos pulmões empurrado pela maior pressão externa, a pressão atmosférica. Quando retraímos a cavidade o ar sai pela mesma diferença de pressão, agora maior no interior expelindo o ar para o exterior.

Seguindo esta mesma ideia, podemos dizer que o dia representa também uma inspiração, onde pela força da energia do sol tudo tende a se expandir. A noite representa uma expiração, onde nos recolhemos sob a a luz suave da lua e das estrelas. Podemos ver este mesmo ciclo em nossas semanas, ciclos lunares, meses e anos, onde cada início pode ser visto com um ato de renovação, de revitalização do ar entrando, se expandindo. Cada fim é uma expiração, é o velho saindo e dando chance para a renovação, para um recomeço.

No fim de um ano é provável que possamos sentir uma certa falta de ar ao fim expiração, já que os ciclos, pessoais, naturais e mesmo astronômicos não são respeitados. Temos um calendário solar que nos obriga a cada quatro anos a fazer ajustes e que não respeita os ciclos lunares tão importantes nas marés, nas colheitas e possivelmente em nosso comportamento. De qualquer maneira, somos seres sociais, que formam, vilas, bairros, ciadades, comunidades, países, povos etc... e assim, entramos mesmo sem querer neste grande fluxo do ano que respira, com início e fim de acordo com a região, país, religião ou cultura em que vivemos. E tem mais, no Brasil, o fim da expiração fica em retenção (kumbhaka a retenção dos pránáyámas) até o fim do carnaval. Haja fôlego!

Mas como o Yoga ajuda nestes ciclos?

Sendo uma ferramenta para o conhecimento de si mesmo, ele pode nos ajudar a compreender (nem sempre racionalmente) nossos próprios ciclos, nos fazendo perceber e ampliar conscientemente nossa respiração e assim compreender também os ciclos que nos rodeiam. Desta forma, podemos nos harmonizar melhor com a vida ao nosso redor, entender profundamente nosso comportamento e as forças que nos levam a navegar por diferentes mares.

Como diria Paulinho da Viola, "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar", mas se aceitarmos e compreendermos a natureza do mar, com suas correntes, profundezas e o céu que se mantém de guia, podemos navegar a nós mesmos e arriscar até contrariar aqui o mestre Fernando Pessoa ao dizer - "Navegar é preciso, viver não é preciso", referindo-se à navegação como algo preciso e o viver como impreciso - afirmando que, se o navegar tem seu grau de precisão, com sabedoria o viver também pode tê-lo.

Solte todo o ar em 2014, inspire e viva 2015 com consciência, Namastê!

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