OPINIÃO
17/02/2014 16:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Gregório Duvivier: 'Não há nada de errado com riso fácil'

Renato Mangolin/Divulgação

Num papel interpretado por Marco Nanini há 15 anos, Gregório Duvivier apresenta em São Paulo o monólogo "Uma Noite na Lua", no Itaú Cultural, dia 19, com entrada franca.

Abaixo, ele responde três perguntas.

Como é interpretar um papel que já foi de Marco Nanini?

O Nanini é um ator magistral. O papel é grandioso, feito sob medida pra ele e pra qualquer ator que goste de passear por diversos gêneros e intensidades emocionais diferentes. Me sinto muito honrado de vestir esse personagem tão bem urdido. O João Falcão, que escreveu e dirigiu, partiu do zero para essa nova montagem, que, assim como a primeira, foi contemplada por prêmios de atuação.

Quais aspectos de 'Uma Noite na Lua' mais o atraem?

Gosto muito do humor do texto, que não é nada óbvio. Muito pelo contrário: é obscuro e surpreendente. A comicidade do texto flerta com a poesia e não dispensa a inteligência do espectador. Você nunca sabe o que está por vir. E é constantemente surpreendido por viradas dramáticas e tiradas cômicas. É uma montanha russa.

Você fica incomodado por ser tão diretamente ligado ao Porta dos Fundos na memória coletiva, de modo que, possivelmente, algumas pessoas não te levem a sério?

Não me incomoda porque me identifico muito com o humor do Porta dos Fundos, que é um tipo de humor que é pra ser levado a sério. Não há, no Porta, assim como nessa peça, a busca pela comicidade pura, que alguns chamam equivocadamente de riso fácil (não é nada fácil arrancar risos da plateia). Não há nada de errado com esse riso fácil. No entanto o Porta, assim como essa peça, tenta fazer rir e, ao mesmo tempo, provocar reflexões. O humor é a melhor maneira de abalar as certezas e os preconceitos do espectador.