OPINIÃO
21/07/2014 12:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Cena de filme de terror nas asas da Malaysia

Os resultados financeiros do primeiro trimestre mostraram prejuízo de 100 milhões de euros. Entre os fatores estão a queda na compra de passagens. Na China, principal mercado da Malaysia e berço da maioria dos ocupantes do avião desaparecido, as vendas caíram estrondosos 60%. Imagine o que vai acontecer agora.

Reprodução/Facebook

"Primeiro veio uma grande explosão. Depois começaram a chover corpos. Teve cadáver que atravessou o telhado". Parece descrição de cena de filme de terror de segunda linha. Mas não é. Trata-se do relato de moradores que vivem na região Donetsk, no leste da Ucrânia, próxima à fronteira com a Rússia, aonde o avião da Malaysia Airlines despedaçou no ar, espalhando passageiros nus por campos de trigo e de girassóis. Panorama inimaginável.

São imagens fortes o bastante para impressionar por longo tempo. E vão aumentar o rombo na imagem da companhia. E isso, independentemente, de se considerar que a aeronave tenha sido abatida por um míssil guerrilheiro e não tenha sofrido mais um acidente aéreo. Com uma contabilidade de prováveis 298 mortes, que vão se somar aos 283 desaparecidos misteriosamente em acidente da mesma empresa em março deste ano, a Malaysia rompe com lei das probabilidades estatísticas, que considera ser improvável que dois aviões da mesma empresa sejam protagonistas de grandes tragédias no mesmo ano.

A maior prova de que os estragos de imagem para a Malaysia Airlines já estavam incomodando ficou registrada na mensagem irônica postada na página do Facebook de uma das vítimas, sete horas antes do acidente fatal. O holandês Cor Pan publicou foto do avião em que embarcaria com a legenda: "Se ele desaparecer, é assim que se parece". O que seria brincadeira virou trágica realidade e acabou compartilhada milhões de vezes, além de ter motivando a criação de outra página, na mesma rede social, em solidariedade ao autor caído. Resultado, o que já estava péssimo para a imagem da empresa, conseguiu ficou ainda pior com força da multiplicação espontânea online.

O avião viajava de Amsterdã para Kuala Lumpur e caiu em uma região que está sob o controle de milicianos separatistas pró-Rússia em confronto com as forças governamentais da Ucrânia. Uma situação complexa que ainda vai render muito assunto, fora a drama vivido pelas famílias das vítimas.

A recuperação do impacto será tarefa árdua para uma companhia que erra a mão na comunicação com a sociedade. Os resultados financeiros do primeiro trimestre mostraram prejuízo de 100 milhões de euros. Entre os fatores estão à queda na compra de passagens. Na China, principal mercado da Malaysia e berço da maioria dos ocupantes do avião desaparecido em março, as vendas haviam despencado estrondosos 60%. Imagine o que vai acontecer agora. E, desta vez, com grande números de holandeses envolvidos.

É aconselhável que a empresa área comece a tomar providências. E rápido. O criticado atendimento aos parentes das vítimas do outro acidente causou enormes estragos. Não será diferente com corpos caindo do céu.

Post originalmente publicado no blog da Marili Ribeiro.

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