OPINIÃO
21/03/2014 10:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

O medo de não agradar

Não sei se quando ficar velha vou dar ouvidos ao que os outros falam. Muita gente diz que quando envelhecemos não nos importamos mais com as opiniões alheias a nosso respeito.

Deixei de viver coisas boas por um medo que me apavora muito mais do que qualquer outro: o de ser julgado, do que os outros vão pensar, o medo de não agradar, o medo de que não gostem de mim.

Como diz Mário Quinta: "Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se

divertir com o mundo...", imagina colocar o chapéu violeta mais cedo ainda.

Não quero ser ridícula, não quero envelhecer tendo atitudes de 20 ou 30 anos, tentando deixar meu corpo e rosto com aparência de 20 anos atrás. Não quero ser uma velha do tipo "perua", rostos esticados, lábios carnudos de tanto preenchimento, maquiagem pesada.

Eu me olho no espelho e tento parecer coerente com minha idade. Hoje mesmo, em uma loja, experimentando roupas, o vendedor dizia que tudo estava lindo! Mas eu via que a roupa era para mulheres, no mínimo, 30 anos mais nova que eu.

Sorrindo agradecia e dizia que não tinha gostado. Claro que ainda quero, apesar de não ser uma mulher jovem, ser admirada por homens, e não passar despercebida, não ser apenas motivos de risos.

Não sei se quando ficar velha (por enquanto estou envelhecendo) vou dar ouvidos ao que os outros falam. Muita gente diz que quando envelhecemos não nos importamos mais com as opiniões alheias a nosso respeito.

Espero que quando a velhice realmente chegar eu pare com a preocupação de agradar aos outros que nem conheço e comece a viver como na infância, onde existe a liberdade e tudo aquilo que fazemos não será ridículo e nem nos preocupamos com a opinião alheia.

Quero, quando estiver velha, não só por o chapéu violeta e sair por aí. Quero também por um collant e um fusô roxo e um tênis vermelho. E a opinião dos outros não vai mais me interessar.