OPINIÃO
11/05/2014 09:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Minha mãe tinha razão

Quando jovens, achamos que a mãe se mete em tudo, dá palpite em tudo, estamos certas e a mãe errada. O tempo passou, eu me casei e me tornei mãe. Agora posso dizer: sei tudo o que ela sentia e dou razão a ela.

Mais um Dia das Mães. Minha mãe já se foi há um pouco mais de 27 anos. Na época eu tinha 27 anos.

Já morava em São Paulo há uns 9 anos, ou seja, todo este tempo estava afastada do convívio diário com a família. Ia aos fins de semanas, não todos, mas sempre a via, meio corrido, meio sem diálogos de filha para mãe.

Quando era pequena minha mãe fazia tudo que podia para me deixar feliz: costurava minhas roupas (era costureira), fazia as coisas que gostava de comer, me dava brinquedos, cuidava de mim. Para defender seus filhos ela não tinha escrúpulos, virava uma leoa. Mamei no peito até os dois anos, coitada.

Era brava, e se não fizéssemos o que ela queria, tinha "um tal de chinelinho vermelho", que a gente nem podia ouvir falar, era melhor obedecer. Agradeço por tudo que ela fez inclusive as chineladas, hoje sou o que sou graças a ela.

Mas eu cresci, e como toda adolescente, achamos que a mãe se mete em tudo, dá palpite em tudo, estamos certas e a mãe errada. Namorado nenhum servia. Algumas amizades também não, viajar sozinha nem pensar.

Ficava brava, de bico, e o que ela queria era só o meu bem, por me amar queria o melhor para mim, não queria que tivesse a vida dura que ela teve as ilusões que teve, nem os sonhos destruídos que ela teve.

Passado algum tempo depois de sua morte, eu me casei e me tornei mãe. Agora posso dizer: sei tudo o que ela sentia e dou razão a ela, só queremos o bem de nossos filhos e quando os aconselhamos somos as chatas que não sabe de nada, assim como eu pensava da minha mãe.

Ah! Se eu soubesse que sei agora, se pudesse voltar o tempo, teria sido uma filha mais presente. Passou muito tempo desde que ela se foi, sempre senti falta dela, apesar de não estarmos mais todos os dias juntas, mas quando meu primeiro filho nasceu há 21 anos senti muito mais a sua falta, e quanto mais o tempo passa mais queria que ela estivesse junto de mim, me aconselhando, me elogiando ou me criticando. Sinto por ela não ter conhecido meus filhos e como sinto.

Tive uma infância maravilhosa, uma adolescência muito divertida e só tenho que agradecer à mãe que tive.

Obrigada, Luiza, minha mãe!