OPINIÃO
11/12/2014 15:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Voluntariado online: mude o mundo de pantufas

No âmbito online, as pessoas atuam quando bem entendem, de onde quiserem, pelo tempo que puderem. Considerando cidades como São Paulo, onde o trânsito altera a programação dos cidadãos, essa informação é fundamental. Você é dono do seu tempo e não esta refém da localização e agenda da ONG.

igor kisselev, www.close-up.biz via Getty Images

Transforme o mundo sem tirar o pijama. Assim diz o anúncio de um site internacional de trabalho voluntário. A pessoa se inscreve a, por exemplo, traduzir um texto para uma ONG africana. Recebe o material e voilá, entra para o crescente universo do voluntariado digital. De quebra, resolveu a desculpa anual de não voluntariar-se por preguiça, maquiada de falta de tempo.

Segundo uma pesquisa recém-lançada pela Fundação Itaú Social conduzida pelo Datafolha, 72% dos brasileiros dizem nunca terem feito trabalho voluntário. O principal argumento é a falta de tempo. Outra razão é a falta de informação sobre o assunto. Mais de 50% dos entrevistados se diz disposto a realizar atividades, o que mostra o potencial de crescimento do tema.

No âmbito online, as pessoas atuam quando bem entendem, de onde quiserem, pelo tempo que puderem. Considerando cidades como São Paulo, onde o trânsito altera a programação dos cidadãos, essa informação é fundamental. Você é dono do seu tempo e não esta refém da localização e agenda da ONG.

Todos os dias, internautas ajudam a Ann Foundation a preparar e dar aulas para deficientes visuais ou auditivos que vivem na Índia, em cidades diferentes. Voluntários online ajudaram a Youth for technology Foundation a estabelecer em Uganda um centro comunitário de capacitação e, em Recife, na ADE (Academia para o Desenvolvimento da Educação) um grupo implementou o e-mentoring, para projetos de desenvolvimento social. Design, pesquisa, gestão de projetos, desenvolvimento de TI, consultoria nos mais variados temas. Há demanda para todas as áreas.

Alguns exemplos pelo mundo podem ser acessados na recém-lançada publicação da Fundação Telefônica, "Voluntariado Digital". O material traz também casos de microvoluntariado, que são ações de curta duração, sem compromisso de se repetir e que envolvem ações específicas como mobilizar um mutirão, disponibilizar fotos para uma organização ou catalogar ebooks. Até a NASA já o adotou.

Todas essas generosas ações, no entanto, não excluem a importância e gratificação de se sair da zona de conforto rotineira para praticar voluntariado in loco. Recentemente, em um exemplo de como as pessoas podem oferecer presencialmente uma ajuda, voluntários do GIFE e United Way Brasil se juntaram para cumprir uma missão. O CEI Jardim Souza fez uma pesquisa com seus alunos para entender o que as crianças gostariam de ter em sua escola. Um campinho de futebol, uma pista para carrinhos e um espaço muito mais colorido foram algumas das solicitações (além de refrigerante todo dia, pedido obviamente negado). Um dia de trabalho colocou em pé o sonho de muitas crianças que se sentiram prestigiadas e mais motivadas para ir à escola.

Para quem quer mudar o mundo de pijamas ou de tênis na rua, algumas organizações oferecem caminhos. Atados e Voluntários Online por exemplo, sugerem ONGS divididas por temas, sendo a primeira em São Paulo e o segunda nacional. Se a opção for para além de barreiras geográficas, há a possibilidade de atuar no mundo todo, como numa fazenda orgânica atuando com a agricultura local, ou no auxílio ao desenvolvimento de um território. O Idealist e o volunteermatch mostram oportunidades por toda parte, incluindo Brasil, e o koodonation é uma comunidade de microvoluntariado.

O voluntariado traz uma oportunidade de ampliar conhecimento próprio em áreas novas, para além daquelas em que já se tem domínio. É uma oportunidade de descobrir-se como bom animador de festa, pintor de rostos, agricultor, organizador de eventos. Além disso, ser solidário é doar ao outro e ao planeta o que se tem de mais valioso, nosso tempo.

A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.

Franz Kafka

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