OPINIÃO
23/07/2014 16:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Se não pode vencê-los, junte-se a eles

Como eu ouvi recentemente, o futebol é a coisa mais importante daquelas menos importantes. Mas quando encontraremos tempo e energia para dedicar àquelas que fazem parte do grupo das mais importantes?

MARTIN BUREAU via Getty Images
Brazilian supporters sitting in a bar in Mogi das Cruzes, Brazil, react as they watch on June 28, 2014 the round of 16 football match between Brazil and Chile being held at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on June 28, 2014. AFP PHOTO / MARTIN BUREAU (Photo credit should read MARTIN BUREAU/AFP/Getty Images)

Passada a Copa do Mundo, volto às atividades aqui no meu blog. Não pretendo me aprofundar em nada referente à questão político partidária/futebolística da Copa, porque, sendo bem sincera, posso tirar férias de futebol por uns quatro anos. Sério, para mim foi uma overdose.

Eu tenho o hábito de olhar para determinadas situações do dia a dia com um olhar quase antropológico: andar de metrô, caminhar pela rua no fim do dia, observar bares de bairros antigos preservando tradições.

A primeira vez que fui ao estádio ver um jogo foi uma experiência tão intensa, que quase me dediquei a escrever uma tese sobre ela. A arte de observar a postura e a reação das pessoas a cada estímulo. É como entrar em um universo paralelo, em que as pessoas se transformam.

Ter estado no Brasil durante a Copa do Mundo foi sem dúvida uma experiência marcante para mim. E olha que quem me conhece pessoalmente sabe muito bem que eu preferia estar em Katmandu a estar aqui.

A resistência das pessoas no começo, o despertar do orgulho de ser brasileiro e da fé na seleção, os bolões, as expectativas colocadas em cada um dos jogadores e a tragédia grega que se abateu sobre nosso país depois do atropelamento sofrido na mão dos alemães. Uma montanha russa de emoções e de nível de patriotismo em um período de quatro semanas. Tivemos de tudo um pouco: de hino à capela com todas as forças a bandeira queimada no meio da rua.

Qual é, afinal, o poder inebriante que o futebol tem sobre nós? Por que canalizamos nossas expectativas para um esporte ou um campeonato, como se ele tivesse o poder de resolver todos os problemas do mundo? Uma das maiores críticas que ouvi durante a Copa (lembrando que não vou entrar no mérito político partidário/ futebolístico do assunto): o que falta para nós brasileiros nos engajarmos tão fortemente nas questões urgentes do nosso país como nos engajamos no futebol? O que existe no futebol que atrai a paixão das pessoas nessa intensidade? Será que conseguimos trazer esse sentimento de pertencimento e patriotismo para outras discussões mais relevantes? Claro que, como eu ouvi recentemente, o futebol é a coisa mais importante daquelas menos importantes. Mas quando encontraremos tempo e energia para dedicar àquelas que fazem parte do grupo das mais importantes?

Existem diversas iniciativas para unir nossa paixão nacional à educação de forma geral. A revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, foi uma das primeiras a juntar esses dois mundos. Na edição que saiu no mês de fevereiro deste ano, ela trouxe planos de aula com o tema futebol para todas as matérias, incluindo filosofia e cidadania. Uma forma de estimular o desenvolvimento das crianças utilizando um assunto que sozinho já atrai as atenções dos pequenos. Conheça mais no link.

Esse é um caminho bem interessante, que só traz benefícios aos alunos, professores e ouso dizer à sociedade. Se não pode vencê-los, junte-se a eles, já diriam por aí.

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