OPINIÃO
07/11/2014 11:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Diálogo interreligioso

Essa semana, tive o privilégio de participar de um diálogo interreligioso e foi muito interessante ver as semelhanças e diferenças nos pensamentos e ensinamentos de das duas religiões. É difícil encontrar no mundo tanta moderação e compreensão em debates sobre questões tão complexas,

Robert Nicholas via Getty Images

Diz o ditado que "religião não se discute". Bom, nessa linha, nem política, nem futebol, nem mulher, mas foquemos no tema religião.

Essa semana, tive o privilégio de participar de um encontro entre Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista (CIP) e representante da Conib para o diálogo interreligioso, e o Xeque Houssam Ahmad El Boustani, que ensina no Brasil islamismo e língua árabe, sob os auspícios do Movimento Futuro, do Líbano, promovido pela área de Treinamento e Desenvolvimento da Abril.

Foi muito interessante ver as semelhanças e diferenças nos pensamentos e ensinamentos das duas religiões. É difícil encontrar no mundo tanta moderação e compreensão em debates sobre questões tão complexas, ainda mais quando o pano de fundo da conversa era o conflito Israel - Palestina. Confesso que conheço muito pouco da história e contexto locais, e acredito que este é muito mais um conflito geopolítico do que um religioso. Vou buscar mais informações.

De qualquer forma, o que me chamou a atenção foram as semelhanças entre as religiões em questão. A vida de um ser humano é o maior valor, acima de qualquer outro. A ética. O respeito. Em suas versões mais "puras", eu diria, as religiões buscam o equilíbrio entre as pessoas, suas crenças e a sociedade onde vivem.

O grande desafio é que cada pessoa é uma e tem um entendimento diferente do que os documentos sagrados trazem. Cada um faz uma interpretação, e como o Rabino e o Xeque enfatizaram, toda religião tem gente boa e gente "ruim", que fazem uso dos seus dogmas e conceitos para o bem e para o mal. Extrapolo essa ideia para todo o resto da humanidade, independentemente da crença, raça, religião, etnia, nacionalidade, classe social. Cada um é cada um.

É aqui que os problemas e conflitos aparecem, nos diferentes entendimentos, que muitas vezes se traduzem como extremismos. O fanatismo reforça estereótipos e preconceitos que promovem a intolerância, que por sua vez, geram mais posições extremas. E assim infelizmente caminha a humanidade, nessa guerra sem fim.

O grande aprendizado deste encontro, se eu puder citar só um, é que precisamos estar mais abertos a conhecer as diferentes religiões para além de estereótipos e extremos: o histórico, contexto e principais valores nos ajudam a respeitar as diferenças e aproveitar as similaridades na construção de um diálogo. Por que no fim, o objetivo é o mesmo: paz.

Para quem tiver interesse, o vídeo do encontro na íntegra entre o Rabino e o Xeque, mediado pelo jornalista Heródoto Barbeiro, está disponível aqui. Vale a pena assisti-lo.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

TAMBÉM NO BRASIL POST:

Galeria de Fotos Mensagens de igreja bastante controversas Veja Fotos