OPINIÃO
25/10/2014 11:23 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Querem acabar com a família

reprodução

O discurso de que a família irá acabar proferido enfaticamente por alguns grupos, normalmente ligados a igrejas, precisa ser ouvido com cautela. Afinal, a família é uma das bases das sociedades e, certamente, não chegará ao fim com tanta facilidade.

Esse pensamento é normalmente defendido em oposição à luta pelo direito de casais homossexuais formarem família. Mas me pergunto: afinal, qual é o argumento central para essa "conclusão"? Não me parece existir. Apenas repetem que isso irá acontecer e que eles são os "defensores da família".

Então vamos lá. Na década de 1970, quando o divórcio passou a ser legalmente autorizado em diferentes países, muitos afirmaram que a família iria acabar. A ameaça viria das famílias monoparentais, formadas por madrastas e padrastos, e, até mesmo, dos homossexuais, que já lutavam por seus direitos. Não podemos esquecer, também, que casamento e sexo inter-racial já foram proibidos em diferentes países. Atualmente, nem sequer falamos em raças humanas, mas sim em seres humanos.

Nos dias de hoje, as famílias homossexuais não estão sozinhas. Vira e mexe, homens e mulheres demonstram o seu desejo em manter uma relação com múltiplos parceiros e, quem sabe, daí surgir uma família. O assunto repercutiu nas últimas semanas devido ao empresário Oscar Maroni, primeiro eliminado do reality show 'A Fazenda', da Rede Record. Há boatos de que a eliminação teria tido uma forcinha da direção da emissora que estava preocupada com o excesso de divulgação dos relacionamentos abertos vividos pelo empresário.

Já os espectadores da Mostra de Cinema de São Paulo puderam conferir a história de Luhli e Lucina no documentário 'Yorimatã'. A dupla de cantoras famosa na década de 1970 tinha afinidades não apenas na música, como também afetivo-sexual: ambas foram casadas com o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca por mais de 15 anos. Ele era pai de dois filhos de Luhli e dois de Lucina. Todos moravam juntos em um sítio no litoral do Rio de Janeiro.

Portanto, quero dizer que, ao contrário do que afirmam calorosamente os "defensores da família", a união conjugal e a família não irão acabar. O que está sofrendo alterações é o modelo de casamento e família patriarcal indissolúvel, instituído há séculos. O aumento do índice de divórcio, as famílias monoparentais, os casais homossexuais, os recasamentos e outras formas de relações conjugais, como o swing, o casamento aberto e o poliamor, mostram que as pessoas continuam com o desejo de constituir família e buscam uma união amorosa estável. O modelo predominante, no entanto, já não é capaz de atender aos anseios de todos os seres humanos e precisa coexistir com outras formas de família. E antes que me esqueça, quero dizer outra coisa: uma grande diferença entre os "defensores da família" e outros grupos sociais é que eles defendem "a família" e nós defendemos "as famílias".

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