OPINIÃO
29/09/2014 22:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

A sociedade está mudando. E você?

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Não há dúvidas de que os valores sociais estejam mudando. Certezas e verdades que até pouco tempo eram incontestáveis estão sofrendo fortes abalos. No que tange aos padrões conjugais e sexuais, normatizados nos países ocidentais pelos valores judaico-cristãos, não é diferente. E as mudanças estão ocorrendo, também, a partir da própria Igreja Católica.

No último dia 12 de setembro, um juiz de Santa Maria (RS) autorizou o registro de uma criança por duas mães e um pai. As mães são lésbicas e o pai é um amigo do casal. O bebê foi concebido através de uma relação sexual. Desde o início, os três participaram de todo o processo e concordaram que iriam assumir juntos a criança. O cartório da cidade precisou alterar o sistema informático para realizar tal registro. O caso, inédito no Brasil, levanta reflexões construtivas sobre uma série de fatores ligados à família.

Ao comentar sobre a multiparentalidade, o juiz Rafael Pagnon Cunha afirmou: "pai e mãe é uma função acima de tudo, é um exercício de uma função, exercício de funções e de cuidados. Não importa quem o faça, mas quanto mais gente estiver cuidando dessa criança, eu tenho certeza que a possibilidade de felicidade dela é bastante grande". Além de um núcleo familiar formado por três pessoas, vale destacar que a criança terá seis avós.

No início de outubro, ocorre no Vaticano uma assembleia extraordinária do sínodo dos bispos com o tema "Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização". Este é o terceiro encontro extraordinário da Santa Sé, que só acontece quando é necessário encontrar uma rápida definição para o tema proposto.

Para além disso, já há algum tempo o Papa Francisco demonstra a necessidade de se repensar a postura da igreja para com aqueles que não correspondem exatamente ao catecismo, como os divorciados, homossexuais, a utilização de métodos contraceptivos, etc. Afinal de contas, essas características não interferem na fé dessas pessoas (e muito menos na das outras!), mas mesmo assim elas são doutrinalmente excluídas. A Igreja Católica sinaliza, assim, que se não acompanhar algumas transformações sociais, continuará perdendo fiés.

Apesar de tudo, é preciso ter cuidado. Transformações socioculturais que levam a padrões mais liberais e igualitários podem reforçar, por outro lado, modelos mais tradicionalistas e excludentes. Apenas um dia após o registro do bebê por duas mães e um pai em Santa Maria, o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) de Santana do Livramento, também no Rio Grande do Sul, iria sediar um casamento coletivo com 28 casais heterossexuais e um homoafetivo. A cerimônia teve que ser realizada no fórum da cidade porque o CTG foi incendiado dias antes. A sociedade está mudando. E você, para qual lado da mudança está indo?

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