OPINIÃO
01/03/2015 23:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

O sistema não fecha

Em 1970, éramos "noventa milhões em ação." O crescimento demográfico fez-nos duzentos e três milhões. Em síntese, houve um acréscimo da ordem de 150%, passados 44 anos. Indaga-se: saúde, segurança, transporte, habitação, saneamento e mercado de trabalho, desde há muito deficientes, cresceram nesse diapasão?

Em Prosperidade do Vício, Daniel Cohen esclarece que o homem malthusiano vivia constantemente faminto, no sentido literal do termo, e que guerras e epidemias resultavam em uma coisa útil: reduziam o número de bocas a alimentar. Hoje, é dado constatar o avanço da medicina e outra dimensão nas guerras, sendo raro o corpo a corpo.

Em 1970, éramos "noventa milhões em ação." O crescimento demográfico, consequência da falta de planejamento familiar e da ausência de controle da natalidade, fez-nos duzentos e três milhões. Em síntese, houve um acréscimo da ordem de 150%, passados 44 anos.

Indaga-se: saúde, segurança, transporte, habitação, saneamento e mercado de trabalho, desde há muito deficientes, cresceram nesse diapasão? A resposta surge-nos aos olhos, diante da série de indesejáveis e preocupantes acontecimentos. Além disso, as políticas públicas deixam a desejar, em que pesem as receitas decorrentes da grande carga tributária. Os cidadãos sofrem no dia-a-dia da vida em sociedade, mostrando-se suficiente considerar o esvaziamento das cláusulas constitucionais reveladoras da segurança pública e da saúde, direito de todos, como dever do Estado.

Urge uma mudança cultural, saneando-se a quadra vivenciada. A ética em sentido maior, a boa arte de dirigir e viver, há de ser buscada. Que o presente seja objeto de reflexão, almejando-se novos rumos. Somente assim haverá melhores dias, quem sabe para as gerações vindouras, no Brasil.