OPINIÃO
29/10/2014 15:19 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

René Burri

Morreu o fotógrafo suíço René Burri, um dos últimos justos da fotografia do século 20.

Conheci René em São Paulo, cenário de uma de suas mais inesquecíveis fotografias. Talvez porque, para nós que aqui vivemos, o fascínio do cotidiano, sob a luz do estrangeiro, do fora do ordinário, seja a verdadeira lição de ver. São quatro homens e suas sombras no topo de um edifício na avenida São João. Esta imagem é a capa de seu mega-livro publicado pela Phaidon. Inesquecível, gruda no fundo da retina como fazem as imagens intrigantes. Burri, suíço, o mais jovem da geração que criou a cooperativa de fotografia Magnum, a lendaria agencia Magnum fundada em 1947 por Cartier Bresson, Robert Capa, David "Chim"Seymour e George Rodger. Burri, a personificação do Joie de vivre, o prazer no oficio da fotografia, o velho-jovem, o tigre enjaulado por feixes de luz.

rené burri

Antes era sobre a fotografia pura, sobre o aprendizado. Agora, na maturidade, é sobre as coisa que amamos, a fotografia como celebração da vida. Neste retrato René esta no seu apartamento em Paris onde me recebeu no fim do ano passado. Os dois editávamos um novo livro e conversamos sobre a escolha das imagens. O árduo trabalho de definir as imagens para um livro. Um trabalho de infinita solidão mesmo quando dividido com editores ou designers. Nesse processo as imagens mais uma vez se animam e flutuam diante dos olhos num desafio à memória e a compreensão. O tigre que se atira para devorar o fotógrafo, metáfora da fotografia que prescinde o autor.

As grandes imagens estão todas por aí, flutuando como música, se ninguém ligar o gravador elas acabam de tocar e desaparecem para sempre.

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