OPINIÃO
25/04/2014 13:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Tuítes de Obama, Discursos de Lincoln e os Filmes de Eisenhower

Getty Images
US President Barack Obama speaks in front of a screen showing his Twitter message at the start of a 'Twitter Town Hall' July 6, 2011 in the East Room of the White House in Washington, DC. Looking on at left is Twitter co-founder and Executive Chairman Jack Dorsey. AFP PHOTO/Mandel NGAN (Photo credit should read MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)

Os tuítes de Obama são muito populares. Com milhares de seguidores, o Presidente americano consegue enviar sua mensagem para pessoas no mundo inteiro. Assim como ele, muitos daqueles que ocuparam a Casa Branca fizeram uso dos mecanismos da época para se comunicar e também se informar sobre o que acontece no mundo. A influência que a cultura exerce sobre os moradores da Avenida Pennsylvania 1600 é peça fundamental para o exercício da política.

Reagan foi um mestre na comunicação pela televisão, assim como Kennedy, que usou esta mídia para vencer as eleições em um debate contra um Nixon que acreditava ainda estar na era do rádio. Roosevelt, por sua vez, ligou para a família para avisar de sua vitória na década de 30, mas todos já sabiam, afinal, o rádio já havia divulgado. E o jornais deram a derrota de Truman na primeira página quando este havia vencido. O Presidente não perdeu a oportunidade de fazer uma foto histórica com a capa de sua "derrota" estampada no Chicago Daily Tribune.

O cinema, por exemplo, chegou na Casa Branca nos anos de Woodrow Wilson, mas se tornou quase um vício nos anos de Jimmy Carter, um ávido consumidor da sétima arte, que assistiu mais de 480 filmes durante seus quatro anos de poder e começou a série com "Todos os Homens do Presidente", sobre o escândalo Watergate. Eisenhower era um grande fã de filmes de faroeste, algo que o aproximou muito do líder russo Nikita Kruschev, que os assistia com Stalin em Moscou. O cinema teve sua importância na construção da política externa e também na formação de muitos Presidentes, afinal, o Salão Oval recebeu um legítimo representante da indústria, Ronald Reagan, durante os anos 80.

As técnicas de comunicação variam a cada Presidência e através dos tempos. Lincoln era um leitor voraz. Memorizava assustadoramente o que lia e escrevia com maestria. Roosevelt, por exemplo, além de calcular todas as pausas dos discursos, usava um tipo de papel especial que não fazia barulho quando falava pelo rádio. Kennedy escondia balas embaixo da mesa para manter John John por ali enquanto se comunicava e hoje Obama faz referência em seus tuítes em relação a cultura atual, com assuntos que vão desde Beyoncé até seriados populares como Mad Men.

Algumas destas histórias e muitas outras aprendi com meu amigo Tevi Troy, que acaba de lançar aqui em Washington "O que Jefferson leu, Ike assistiu e Obama tuitou", que analisa mais de 200 anos de influência da cultura popular na Casa Branca. É importante destacar a importância da cultura de massas, que hoje encontra uma nova fronteira com a internet. Ninguém dúvida de sua importância para a política, afinal como vemos com Obama, aquele que sabe fazer uso de modo eficaz destes mecanismos, sempre larga na frente.