OPINIÃO
05/08/2014 12:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Oriente Médio: A agenda perdida de Washington

O conflito que ameaça Israel e atinge os palestinos é sério, mas isto faz mais uma vez com que os americanos percam o foco sobre a região como um todo.

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WASHINGTON, DC - AUGUST 01: U.S. President Barack Obama delivers remarks and takes reporters' questions in the Brady Press Briefing Room at the White House August 1, 2014 in Washington, DC. Obama talked about the new jobs numbers, the failure of Congress to pass border security legislation, the ongoing Israel-Gaza conflict and the crisis in Ukraine. (Photo by Chip Somodevilla/Getty Images)

Cada vez que surge um novo conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio, a balança da política externa dos Estados Unidos para a região mais uma vez é capturada. Em outros termos, isto significa que os esforços, antes espalhados, voltam-se novamente para locais como Gaza, Tel Aviv e Jerusalém.

Muitos acreditam que os americanos não deveriam interferir na região. Por certo é uma opinião, entretanto, na balança geopolítica de forças, a presença de atores como Estados Unidos, União Européia e Rússia podem fazer com que se encontrem vias mais fáceis de negociação e caminhos comuns legitimados pelos mecanismos das Nações Unidas e viabilizados até mesmo pela Otan.

Portanto, a presença dos americanos no tabuleiro, que possuem uma ligação direta com o governo de Israel, confere um peso diferenciado para solução pelo menos parcial do conflito. Tem sido sempre assim. Nas últimas décadas Washington tenta, Presidente após Presidente, um encaminhamento definitivo para que finalmente se encontre paz entre os dois povos. O ponto alto foram os acordos de Oslo, durante os anos de Bill Clinton.

Neste ponto reside o principal erro da política externa norte-americana para a local. Conversei com parlamentares em Washington que acreditam que o país possui uma agenda capturada pelo conflito entre israelenses e palestinos. O governo segue obcecado pela ideia de que a paz entre ambos encaminharia a estabilidade no Oriente Médio. Isto leva a crer que a diplomacia perdeu o foco real, que significa enxergar a região como um todo, conectando uma estratégica política que vá além de Tel Aviv ou Gaza, mas que compreenda todo o cenário geopolítico, religioso e cultural dos territórios em questão.

O conflito que ameaça Israel e atinge os palestinos é sério, mas isto faz mais uma vez com que os americanos percam o foco sobre a região como um todo, diante de um Iraque convulsionado, uma Líbia em chamas, uma Síria em plena guerra civil, um Irã que enfrenta inspeções, um Egito com um novo governo, além do desagrado de Israel em relação a proximidade de Washington com a Arábia Saudita. Não é pouco.

O fato é que se a política externa dos Estados Unidos para a região sempre teve como prioridade Israel, quando seu aliado sofre ataques, não espera-se nada diferente do que o apoio dos americanos. Entretanto, enquanto isso, o Oriente Médio arde em convulsões, que necessitam de apoio e esforço da Casa Branca para serem resolvidos. Os americanos precisam resgatar sua agenda como um todo para a região. Para o bem do Oriente Médio, mas também principalmente para o bem de Israel.

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