OPINIÃO
10/04/2014 09:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

O duelo pelo Senado nos EUA

O foco, portanto, ainda não está em 2016, mas em 2014. Se os republicanos vencerem estas disputas, tomarão o controle do Senado e da agenda legislativa até o final do governo Obama.

FRANCOIS GUILLOT via Getty Images
French Prime Minister Manuel Valls (C) gestures in front of President of the French Senate Jean-Pierre Bel (C, up), while delivering a speech in the French Senate in Paris on April 9, 2014, outlining his policy to French senators. AFP PHOTO / FRANCOIS GUILLOT (Photo credit should read FRANCOIS GUILLOT/AFP/Getty Images)

A disputa do ano na política norte-americana está focada no Senado, hoje de maioria democrata. Se o partido de Barack Obama perder a vantagem nestas eleições, o Presidente viverá os dois últimos anos de seu termo de forma melancólica. Nos Estados Unidos, mais importante do que controlar a Casa Branca, é reger a maioria do parlamento. Hoje este poder está dividido, pois os republicanos possuem maioria na Câmara e os democratas no Senado. Entretanto, enquanto a oposição deve manter sua vantagem com tranquilidade na câmara baixa, a situação corre o risco de perder o controle da câmara alta, o que seria um desastre político.

E os republicanos trabalham incansavelmente para este desastre ocorrer. A desvantagem da oposição hoje está em seis cadeiras. Nas eleições deste ano 12 assentos dos democratas estarão em jogo aberto, seis deles em estados tipicamente republicanos, mas que elegeram democratas impulsionados pela votação de Obama em 2008. Hoje, com o Presidente enfraquecido e impopular, estas vagas em colégios eleitorais conservadores devem voltar naturalmente para as mãos dos republicanos.

A ofensiva está bem delineada. Dois democratas se aposentam, na Dakota do Sul e Virgínia do Oeste, assentos altamente competitivos para os republicanos, que esperam vencer em ambos. Dentre os estados tradicionalmente republicanos, estarão em disputa vagas no Arkansas, Montana e Louisiana. Nos três há chances claras de vitória para os conservadores. Além destes, existem chances reais no Alaska e na Carolina do Norte, sem contar o Michigan, onde existe um assento aberto em disputa. Para fechar a ofensiva, Scott Brown, que ocupou o cargo de Senador por Massachusetts, tentará tomar a vaga da democrata Jeanne Shaheen, agora em New Hampshire.

Além destes estados, ainda existem disputas no Oregon, Minnesota, Indiana, Virgínia e Colorado. Mas a conta mais otimista dos republicanos chega a nove vitórias, o que levaria a uma confortável maioria no Senado. Os riscos mais expressivos estão em dois estados: Georgia e Kentucky, onde os republicanos podem perder seus assentos, um deles do líder do partido, Mitch McConell, que enfrentará primárias duras e uma campanha muito disputada.

O foco, portanto, ainda não está em 2016, mas em 2014. Se os republicanos vencerem estas disputas, tomarão o controle do Senado e da agenda legislativa até o final do governo Obama. Com o controle das duas casas, passarão a mandar no país e dificultar a vida de Obama, o que fará o partido democrata sangrar até 2016. Vencer a Casa Branca se tornará naturalmente o próximo passo.