OPINIÃO
20/06/2014 10:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

<em>Yes</em>, os americanos gostam de futebol!

Muitos acreditam que os americanos não gostam de futebol. Em época de Copa do Mundo o tema sempre volta ao debate. Afinal, o país que chama o futebol de soccer poderia mesmo estar em um processo de assimilação do esporte?

Getty Images

Muitos acreditam que os americanos não gostam de futebol. Em época de Copa do Mundo o tema sempre volta ao debate. Afinal, o país que chama o futebol de soccer poderia mesmo estar em um processo de assimilação do esporte bretão aprimorado e eternizado pelo Brasil?

Se analisarmos os números, veremos que a América está sendo seduzida aos poucos pelo futebol. Durante esta Copa do Mundo, os bares estão cheios, os parques com enormes telões lotados, existe torcida real e entusiasmada. Calma, não é nada que se compare a febre que existe no Brasil, mas é um começo. Quem imaginaria que o conservador Wall Street Journal trouxesse em sua capa uma foto enorme da vitória do time americano contra os ganeses em Natal? A cobertura se estende por outros jornais, como o New York Times, que em meio as finais da NBA, trouxe Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi na capa do caderno de esportes. A cobertura segue no Los Angeles Times, USA Today e o jornal mais importante aqui da capital, o Washington Post.

Para quem não sabe, a MLS (Major League Soccer) dos Estados Unidos conta com 19 times, sendo três do Canadá, onde joga nosso goleiro, Júlio César, e possui uma média de público acima do Brasileirão, com 18.000 torcedores por jogo, a sétima melhor média do mundo, segundo os números da Fifa. A Copa com melhor média de público na história foi em 1994, disputada nos EUA, e vencida por nós, que desclassificamos os donos da casa em uma vitória suada de 1 x 0 em São Francisco.

O futebol impressiona também o próprio mercado americano, pois é o terceiro esporte com maior média de público, perdendo apenas para futebol americano e baseball. Isto significa que o futebol tem mais público que as ligas de hockey e basquete, a badalada NBA. Como se não fosse o bastante, é o terceiro esporte mais praticado no país, perdendo apenas para basquete e baseball. Isto nos indica que certamente existe uma nova geração de jogadores sendo gestada.

Os ganhos com televisão, entretanto, ainda são pequenos, ficando atrás do futebol americano (US$ 5 bilhões), baseball (US$ 1,5 bilhões), basquete (US$ 930 milhões), hockey (US$ 200 milhões). O soccer fica em último com US$ 90 milhões. Mas os jogadores começam a se valorizar também. Na atual seleção existem atletas que jogam em ligas européias, em especial na Inglaterra e na Alemanha e outros tantos estrangeiros também tem escolhido a liga do norte da América. A expectativa é que a MLS esteja entre as grandes do mundo até 2022. A operação é extremamente profissional.

Existe também o componente político. Alguns nacionalistas mais exaltados dizem que a popularização do futebol no país é uma invasão na cultura norte-americana. Nada mais descolado da realidade. Como um país de imigrantes e em constante transformação, a América é um amálgama de culturas entrelaçadas. O futebol começa a encontrar seu lugar dentro deste grande mosaico.

Portanto, quando você enxergar flashes de Chicago, Miami, New Jersey ou Los Angeles onde americanos comemoram efusivamente os gols de sua seleção, lembre-se, aqui também existem fãs de futebol.

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