OPINIÃO
25/09/2014 18:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Dilma e o Mago

AP

Dilma Rousseff carrega um grande peso nestas eleições que atende pelo nome de rejeição. Os números daqueles que dizem não votar na Presidente preocupam, especialmente quando flertam com um índice perto de 40%, um nível que inviabiliza qualquer chance de vitória no segundo turno. Se de um lado a rejeição assusta, do outro existe a aguerrida militância petista que garante sempre ao seu candidato no mínimo 30% das intenções de voto. Como vemos, dentro deste perigoso equilíbrio, ela visa buscar outro mandato.

Mas quais as razões que levam o eleitor a rejeitar Dilma? Uma economia com resultados pífios, juros altos, uma inflação evidente aos olhos do consumidor, isto sem falar em outros índices que também não animam qualquer brasileiro. Somando todo este cenário a fadiga de material apresentada por 12 anos de presença do PT no comando do país, avalia-se que uma reeleição não é um trabalho fácil.

A favor de Dilma existe um arco amplo de alianças que forneceu um generoso tempo de exposição no horário eleitoral. Os programas são caprichados e de alta qualidade, bem direcionados pelo marqueteiro João Santana, que toma conta da imagem do governo com maestria desde que Duda Mendonça foi tragado pelo escândalo do Mensalão. Dilma também é beneficiada pela sistematização dos programas sociais, hoje carro-chefe de qualquer candidatura petista. Tem ao seu lado o ex-presidente Lula, que tem cruzado o país para mostrar seu apoio irrestrito ao governo.

Mas nem tudo são flores na campanha petista. Acostumados com o duelo de sempre contra os tucanos, os petistas foram tragados para um novo cenário com o falecimento de Eduardo Campos. Este fato trágico trouxe uma terceira-via para a disputa, que atende pelo nome de Marina Silva. Dilma sabe (e confidenciou aos assessores) durante as Olimpíadas: "Marina é o único nome que coloca em risco nossa recondução". A profecia vem tomando contornos cada vez mais claros.

Os fracassos das candidaturas no Paraná, Rio de Janeiro e especialmente São Paulo fazem soar um sinal de alerta dentro das hostes petistas. Depois que um escândalo de corrupção encarcerou a cúpula da agremiação na penitenciária da Papuda, o partido precisa se reinventar, mas parece que ainda não acertou na nova fórmula. Vencendo ou sendo derrotados, o caminho para o PT é a renovação.

A implementação de uma agenda social será o grande legado dos anos petistas. É nisso que Dilma aposta para ser reeleita. As dificuldades, entretanto, nunca foram tão grandes. Denúncias de corrupção, fadiga de material e uma economia cambaleante enfraquecem a candidatura oficial. Se somarmos tudo isso a um novo adversário, que chega de outro flanco, tudo parece ser mais difícil. Se a estrela de Lula não é a mesma, Dilma conta mesmo é com o mago João Santana, talvez o único que possa de fato modificar o cenário desfavorável.

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