OPINIÃO
27/08/2014 09:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Debate consolida Marina

THIAGO BERNARDES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Quando o PSB perdeu Eduardo Campos, escrevi que o partido escolheria Marina. Não somente pelos votos recebidos na última eleição presidencial, mas porque a agremiação precisava da candidata para chegar ao poder e ela precisava da estrutura partidária para a disputa. O vice viria das bases do PSB. Assim aconteceu. Beto Albuquerque assumiu e a chapa foi formada. Lembrei que Marina chegaria facilmente aos 27%, seu patamar quando testada pela última vez como cabeça de chapa, e ameaçaria deixar Aécio de fora do segundo turno.

Tudo isto de fato aconteceu, a despeito de muitos que duvidaram desta análise e dos trackings diários a que tive acesso. O cenário, portanto, acomodou-se, ou seja, chegou ao patamar da estabilidade para a construção de novas projeções. Marina chegou aos 27% e deve manter-se por ali, superando talvez a marca dos 30%, especialmente após esta semana de grande exposição. O fato é que Marina encontrou seu eleitorado, órfão de um outsider que defendesse uma agenda descolada da política tradicional. É por aí que Marina transita. Este é o eleitorado que está ao seu lado.

Isto é um problema para Aécio Neves. Com a mudança da dinâmica de campanha, ele também deve mudar a estratégia. No debate da Band já vimos um Aécio mais incisivo, combativo e firme. Isto contrasta com seus programas de TV vistos até aqui e com a estratégia fracassada adotada por Alckmin e Serra no passado. Esta é a única chance de Aécio, ou seja, mostrar-se como um contraponto ao PT e ao governo Dilma, na defesa do legado e conquistas de Fernando Henrique e da agenda positiva das administrações do PSDB. Serviria também ter Joaquim Barbosa, um outsider, como vice (algo juridicamente impossível hoje). Enfim, para chegar ao segundo turno, Aécio precisa fazer mais do que fez neste debate.

Dilma dificilmente ficará de fora do segundo turno. Hoje, com 31%, geralmente o eleitorado fiel do petismo, está garantida. Como Marina não tende a perder votos, Aécio precisa crescer entre os indecisos e chegar junto dos números de Marina e Dilma, embaralhando a disputa. Esta chance existe, entretanto, é a mais remota.

E Marina já tornou-se uma onda. Lidera em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco e Paraná. Assumiu a ponta em São Paulo, com 40% das intenções de voto. A onda se confirma porque está descolada das brigas estaduais: Em Minas lidera o PT, em Pernambuco, PTB, no Rio e Distrito Federal, PR, e em São Paulo e Paraná, o favoritismo é do PSDB. Seu discurso no horário eleitoral está em consonância com o que pensam seus 30%, assim como suas falas no debate, onde mais uma vez foi precisa. Marina vende a idéia de uma nova política, além do PT e do PSDB, trabalhando no governo com os melhores quadros de ambos os partidos. Se é factível ou real é outra história, mas é exatamente o que estes 30% querem ouvir.

A batalha do PSB está em se manter neste patamar, talvez um pouco acima, para garantir a passagem para o segundo turno. Se Marina chegar lá, com uma rejeição de apenas 10%, as chances de chegar ao Planalto são altíssimas. Ela nunca esteve tão perto de vencer. Mesmo sem estar formalmente na disputa, Eduardo Campos viabilizou a terceira-via que tanto sonhava.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.


MAIS ELEIÇÕES NO BRASIL POST:

Candidatos celebridades agitam eleições