OPINIÃO
24/10/2014 19:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Chegou a Hora

Com uma candidatura abatida por ataques abaixo da linha da cintura e muitas mentiras, o duelo entre as duas maiores forças políticas do país se impôs. Colocados no segundo turno, situação e oposição passaram a tentar vender a idéia de mudança, aquilo que o povo deixou claro que queria quando gritou em 2013.

Senado Federal/Flickr
Eleições 2014 - Voto em trânsito no IESB, Asa Sul, Brasília.Foto: Marri Nogueira/Agência Senado

Tudo começou nas manifestações de 2013. A população se espalhou pelas ruas das principais cidades do País. Não havia um foco definido. Não havia líderes. Apenas um sentimento de indignação despertado na alma de cada brasileiro. Naquele momento, muitos acreditavam que poderia estar nascendo um novo país, especialmente diante de um povo que parecia ter abandonado a passividade.

Então a popularidade do governo despencou. Um reeleição que até então parecia segura, pela primeira vez deu sinais de fraqueza. Um pacote de medidas foi passado com urgência por um Congresso que trabalhou e aprovou mais naqueles dias do que em todo o período legislativo. O povo também tomou as ruas de Brasília e por pouco não tomou o Parlamento. Um governo acuado usou uma inteligente arma de dissuasão: propôs uma reforma política que, obviamente, não prosperou, mas acalmou o clamor das ruas.

Naqueles dias os institutos de pesquisa também saíram para rua. Todos querendo entender o que estava acontecendo. Enquanto a popularidade do governo derretia, dois nomes emergiam da indignação popular como aqueles capazes de levar adiante o somatório de reclamações de um povo espremido entre a lotação de um transporte público caro e ineficiente, refém de um trânsito caótico e sedento por mudanças.

Mudança. Este era o recado das ruas. O povo queria mudar. Nada estava bom. As reclamações se empilhavam, a insegurança das cidades assustava e a inflação começa a corroer os ganhos daqueles que menos ganhavam. Se o Plano Real trouxe o fim da inflação e as políticas sociais tiraram muitos da miséria, nada havia sido feito para que esta nova massa de pessoas fosse recepcionada na classe média. O crédito minguava, as prestações acumulavam e os sonhos começaram a se desfazer.

Diante deste quadro entramos no ano das eleições gerais, onde finalmente a voz do gigante que havia se levantado poderia ser ouvida nas urnas. Enquanto um dos candidatos procurava se viabilizar como a terceira-via, o duelo de sempre entre as duas principais forças do país parecia se tornar inevitável. Nada soava sedutor para a enorme parcela de indecisos que se acumulavam nas pesquisas. Diante de um desastre, quando a morte inesperada atingiu um dos candidatos, o jogo moveu-se com a entrada no tabuleiro de um dos nomes indicados lá nas manifestações como aquele capaz de entregar a tão sonhada mudança.

Mas durou pouco. Com uma candidatura abatida por ataques abaixo da linha da cintura e muitas mentiras, o duelo entre as duas maiores forças políticas do país se impôs. Colocados no segundo turno, situação e oposição passaram a tentar vender a idéia de mudança, aquilo que o povo deixou claro que queria quando gritou em 2013. Agora, finalmente chegou a hora do gigante se levantar e dar o seu recado.

Caberá ao eleitor escolher. Chegou a hora de lembrar dos gritos das ruas, da indignação, dos protestos e fazer-se ouvir. A grande chance chegou. O grande dia avizinha-se. É possível mudar. A democracia, que precisa de oxigenação e alternância, clama pelo voto. Cabe apenas a cada um de nós desenhar o país que queremos para nossos filhos. Como se aprendeu nesses meses, não podemos desistir do Brasil. O futuro chegou e está em nossas mãos.

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