OPINIÃO
26/02/2014 15:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

A popularidade de Obama

A vida de Obama não está fácil. Sua popularidade despenca de forma vertiginosa e isto pode ter reflexos nas eleições parlamentares deste ano. A última pesquisa Gallup, do final de janeiro, mostra o presidente americano com uma aprovação de apenas 39%, menor do que tinha Bush com o mesmo tempo de segundo mandato. Como os democratas tomaram o Congresso em 2006, pode ser que os republicanos repitam a história e imponham uma derrota histórica ao partido de Obama em alguns meses.

Mas o presidente não ajuda. Depois de seu discurso no Congresso, já assinou sete ordens executivas, que dispensam o debate parlamentar, agindo unilateralmente. Sua justificativa é de que o legislativo anda inoperante e não consegue responder rapidamente da maneira que deveria. Este é um argumento perigoso, em especial nos Estados Unidos, que desenvolveu um sistema em que o poder real reside nas mãos do Congresso.

O fato é que Obama chegou ao poder com a mensagem de mudança. Seus números hoje expressam a decepção do povo americano. Nunca um presidente teve uma atitude tão confrontacionista com o Congresso. Isto tem ampliado o fosso que separa democratas e republicanos. O problema é que Obama foi eleito para diminuir esta distância, algo que era esperado, afinal ele era um membro do parlamento antes de chegar ao Salão Oval.

O mesmo Senador que acusou Bush de falta de liderança por aumentar o teto da dívida e pelo excesso de ordens executivas, quando chegou ao poder, fez o mesmo. A decepção com seu governo tem esta origem, dúbia na visão dos americanos, ou seja, um presidente que fala de uma maneira e age de outra. Para a sociedade americana isto é muito sério. Talvez por isso hoje mais da metade dos eleitores não confie no presidente, especialmente depois de saber que ele autorizou o monitoramento dos próprios cidadãos pela NSA.

Hoje, além da Casa Branca, os democratas mantêm o controle do Senado. Se a tendência de queda dos números de Obama se confirmar, é possível que contamine o partido e os democratas percam esta maioria. Por aqui, nos corredores do Capitólio, onde conversei com parlamentares oposicionistas, o entusiasmo é grande com as pesquisas mais recentes. Com ambas Casas no controle dos republicanos, o presidente pode encarar um fim de mandato melancólico e abrir o caminho para um candidato conservador em 2016.