OPINIÃO
06/06/2014 09:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

A Copa da sucessão

Os brasileiros podem até apoiar a seleção, mas sediar a Copa é visto como um péssimo negócio. Isto explica a falta de entusiasmo com o torneio. O brasileiro, até o momento, ainda não entrou no clima da competição.

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Residents protest during the inauguration of the BRT's new line, called Transcarioca, which connects Galeao International airport and Barra da Tijuca at BRT's Madureira station in Rio de Janeiro, Brazil, on June 1, 2014. The new BRT line Transcarioca will bring tourists from the Galeao Internatinal airport to a subway line that connects with Maracana stadium during the FIFA World Cup. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Os americanos podem ainda não ter um dos melhores times de futebol do mundo, mas Washington está de olho no que acontece no Brasil e os desdobramentos que a Copa do Mundo pode trazer tanto nos aspectos econômicos, quanto na esfera política. Por aqui nos reunimos no Wilson Center esta semana para tratar da recente pesquisa divulgada pela Pew Research Center sobre nosso país. Os resultados são interessantes e balizam muito do entendimento que a América tem sobre o Brasil nestes dias que antecedem o Mundial.

A tabulação dos dados é nacional, portanto não é possível fazer uma análise das entrevistas por Estado pesquisado. Um ponto, entretanto, ficou claro: existe uma enorme frustração no coração dos brasileiros. 72% da população está insatisfeita com os rumos do país. Economia, criminalidade e corrupção são percebidos como graves problemas por mais de 80%. Como resultado, sobrou para a Copa do Mundo: 61% acreditam que a disputa será prejudicial para a imagem de nosso país no exterior. A mensagem está clara. Os brasileiros podem até apoiar a seleção, mas sediar a Copa é visto como um péssimo negócio. Isto explica a falta de entusiasmo com o torneio. O brasileiro, até o momento, ainda não entrou no clima da competição.

Mas tudo isso pode mudar. É neste ponto que entra a política. Se a seleção embalar, os problemas com a organização e a insatisfação generalizada podem ser momentaneamente esquecidos e as críticas temporariamente abafadas. Entretanto, se o escrete canarinho der vexame, uma revolta pode se formar, pois a realidade não conseguirá ser mascarada com facilidade. Obras inacabadas, falta de um legado definido, estádios que se tornarão inúteis e toda a insatisfação que vimos nos protestos de 2013, só que, agora, amplificados pela mídia internacional que cobrirá o evento.

Portanto, apesar de a política não guardar uma relação íntima com os resultados da seleção, desta vez pode ser diferente. Os americanos acreditam nisso. Em outras palavras. Se o Brasil vencer, a cobrança diminui, mas se perder, a conta será alta e pode ser paga por quem está em Brasília. A sorte de Dilma, neste momento, é que não existe uma terceira-via. Existe uma alta desaprovação de sua gestão econômica, por mais de 67% dos brasileiros. Há um claro sentimento de mudança, mas não existe um candidato catalisador deste movimento. Na falta de alternativas, a massa tende a seguir a situação.

Mas pela primeira vez a sorte da Presidente pode ser decidida dentro das quatros linhas. O coração de Dilma, hoje bate nas chuteiras de Neymar.

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