OPINIÃO
13/08/2014 15:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

A campanha começa hoje

Sem Campos, tudo muda. Marina tem uma chance de ouro para mudar o jogo e vencer a disputa. Baixa rejeição, 20% dos votos na última eleição e o espólio político de Eduardo Campos.

AFP via Getty Images
(FILE) Brazilian former senator and former presidential candidate Marina Silva delivers a speech during the inauguration ceremony of the new REDE party, whereby Silva intents to be again presidential candidate for the 2014 elections, in Brasilia, on February 16, 2013. AFP PHOTO/Pedro LADEIRA (Photo credit should read PEDRO LADEIRA/AFP/Getty Images)

O falecimento de Eduardo Campos é um daqueles fatos que podem mudar o rumo dos acontecimentos políticos. O candidato do PSB sonhava com esta candidatura há tempos. Traçou de modo muito cuidadoso uma linha tênue que o separava do petismo, mas também mantinha pontes de comunicação com a oposição. Tentou construir uma terceira-via, um caminho por onde pudessem passar as políticas sociais dos anos de Lula, ao mesmo tempo em que pudesse trazer um choque de gestão para a máquina pública, como fez em Pernambuco.

Eduardo venceu o leilão por Marina Silva. Trouxe a representante da Rede para sua chapa na condição de vice. Na minha opinião, ela mais atrapalhava do que ajudava Campos. Isto porque ele havia construído canais de entendimento com setores estratégicos, como o agronegócio, que foram deixados de lado por imposição de Marina. A construção dos palanques estaduais exigiu esforço redobrado após o desembarque da Rede nos quadros do PSB. Mas Eduardo, um político hábil e conciliador, soube aparar as arestas e seguir em frente com seu grande sonho: disputar a Presidência com chances reais de vitória. Sem Campos, a chapa perde seu grande articulador. Sem Campos, tudo muda.

Muda porque Marina deve assumir a cabeça de chapa. Cabe ao PSB escolher um novo candidato, mesmo com a chapa já homologada pela convenção partidária. Pode ser qualquer nome, mas certamente os socialistas devem optar por Marina, a vice escolhida por Campos, mesmo que ela não represente o partido e esteja na agremiação apenas pela necessidade jurídica-eleitoral. Ela tem um espólio de 20 milhões de votos da última eleição e parte, em tese, deste patamar. Por falar em espólio, ela ainda herda a estrutura construída por Eduardo Campos nacionalmente, um trabalho muito bem realizado por um político que há muito tempo articulava esta campanha. O casamento entre Marina e PSB nunca foi tão necessário e conveniente como agora.

O partido moldado por Eduardo Campos pode finalmente chegar ao poder, entretanto, por ironia do destino, não por suas mãos, diante desta infeliz fatalidade que o vitimou neste 13 de agosto (mesmo dia de falecimento de Miguel Arraes, seu avô e mentor político) em Santos. Marina, herdeira legítima desta chapa, tem agora uma chance de ouro para mudar o jogo e vencer a disputa. Ela possui baixa rejeição, teve 20% dos votos na última eleição, carregará a imagem de Campos e herda o espólio político de alianças e palanques de seu antigo companheiro na disputa. Se souber conduzir esta conjunção de fatores, deixa Aécio para trás e chega no segundo turno. E se chegar lá, Dilma terá uma difícil tarefa pela frente.

Por tudo isso, a triste notícia do falecimento de Eduardo Campos, na esfera política é um fato que pode alterar todos os rumos desta corrida presidencial. A campanha, de verdade, começa hoje.

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