OPINIÃO
31/01/2016 09:46 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Pelo direito de escolha

Um dirigente de um sindicato é antes de tudo o representante oficial de sua categoria. Afinal, ele foi escolhido democraticamente para representar e defender os interesses de um segmento da sociedade.

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Um dirigente de um sindicato é antes de tudo o representante oficial de sua categoria. Afinal, ele foi escolhido democraticamente para representar e defender os interesses de um segmento da sociedade.

Mas será que os dirigentes dos sindicatos estão mesmo aptos a representarem sua categoria perante a população e o poder público?

Essa é a pergunta que os taxistas paulistanos precisam fazer em relação aos seus atuais representantes, pois as atitudes defendidas por eles estão afastando cada vez mais a simpatia dos paulistanos aos taxistas.

Impressiona o tom adotado por Antonio Raimundo Matias, presidente do Simtetaxis (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Taxi da Cidade de São Paulo) em vídeo publicado na última quinta-feira (28).

Sem o menor constrangimento, Antonio Matias, o Ceará, como é conhecido, ameaçou o prefeito Fernando Haddad e os motoristas do aplicativo Uber: "acabou a palhaçada, agora é o cacete", dizendo que "o Uber só vai trabalhar em São Paulo se for em modal taxi''.

Sua mensagem dá a entender que se Haddad não concordar totalmente com a posição defendida por ele (que motoristas de Uber virem taxistas aumentando ainda mais a concentração de poder da categoria), taxistas poderão agredir motoristas do Uber, atitude essa chancelada por seu colega Natalício Bezerra, presidente de outro sindicato do setor, o Sinditaxi (Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo).

Matias parece ignorar que ameaça de agressão ou mesmo de morte, como já fez antes, é incitação ao crime, com pena prevista no código penal de três a seis meses de reclusão ou pagamento de multa. (Fica a dica Haddad e Uber).

Mas o mais impressionante mesmo é que Matias, Natalício e que alguns taxistas selvagens que participam ativamente dessas agressões, ainda não perceberam que agindo dessa forma cada vez mais a população - que é a verdadeira parte interessada no serviço deles - vai preferir privilegiar o uso de serviços alternativos ao dos taxistas, cujos interesses eles deveriam defender.

O aumento de usuários do Uber mostra que seus usuários preferem outro serviço ao que é prestado pelos taxistas e, é exatamente pelo fato dos motoristas do Uber não serem taxistas, é que estão conseguindo atrair mais clientes.

Como diz a Folha do Motorista, jornal da categoria, "os taxistas recebem uma "autorização", que na cidade de São Paulo chama-se alvará, a título precário. Se a prefeitura decidir cassar um alvará, não há qualquer indenização por parte do município ao taxista."

O que me surpreende é as prefeituras ainda não terem caçado em massa os alvarás de taxistas agressores ou que incitem ao crime em diversas cidades do Brasil.

Foi patética e criminosa a atitude adotada por um grupo de taxistas na quinta feita passada em um evento no hotel Unique em São Paulo, onde, além de ameaçar os motoristas do Uber e depredarem seus carros, obrigaram os convidados da festa a utilizar tão somente o serviço deles para irem embora.

Isso se chama terrorismo.

Sério mesmo que eles acreditam que fazendo isso eles vão aumentar/recuperar sua clientela?

Será que um cidadão vai preferir utilizar o serviço de motoristas de uma categoria que aparece na TV agredindo, depredando e ameaçando de morte outros motoristas (além de constranger seus usuários) ou utilizar um serviço que conta com motoristas atenciosos, pontuais e educados, avaliados pelos próprios passageiros e que ainda por cima debitam o valor da corrida automaticamente...?

São essas atitudes tomadas por uma parte dos taxistas, estimuladas pelos presidentes de seus sindicatos, que mancham a imagem de toda uma categoria.

São Paulo é uma cidade não apenas aberta, mas como totalmente dependente de novas tecnologias. E é exatamente por absorver rapidamente a inovação que São Paulo sempre se renovou e continuou crescendo. Se antes máquinas de escrever dominavam os escritórios, hoje são peças de museu.

Os taxistas precisam entender que novas tecnologias acabaram com o monopólio que tinham no transporte individual de passageiros: agora eles têm concorrência.

Por isso, aos bons taxistas, que são a grande maioria, sugiro uma revolução no modo de agir se quiserem fidelizar clientes aos seus serviços:

- Denunciem às autoridades competentes os maus elementos que estragam a imagem de sua categoria;

- Sejam educados, atenciosos e corretos. Ofereçam opções de pagamento por cartões de débito e crédito. Imitem o que está dando certo e não insistam no que está errado;

- Nas próximas eleições, elejam representantes mais equilibrados cujos discursos despertem a simpatia do público à sua categoria e não que usem o medo como tática de persuasão;

- E nunca, de maneira alguma, tentem ganhar um argumento na porrada.

Caso continuem insistindo no erro, darão cada vez mais razão ao que o prefeito paulistano disse semana passada: vocês irão desaparecer.

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