OPINIÃO
05/02/2014 16:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

O Fusquinha do século 21 (VEJA)

Divulgação

A Volkswagen está apostando todas suas fichas no up! (assim mesmo, com letra minúscula e exclamação), seu novo compacto que será o modelo mais barato da marca no Brasil. A intenção é clara: ser o automóvel mais vendido no país, uma espécie de Fusquinha do século 21. Está certo que a VW batizou por aqui o Beetle de "Fusca", mas esse tem o preço nada popular de R$ 85.600, longe portanto do segmento de entrada.

O curioso é que outro modelo da marca, o Gol, é o carro mais vendido por aqui há 27 anos. Mesmo assim, no cômputo geral, a Volkswagen está desde 2001 em segundo lugar em volume geral de vendas no Brasil, perdendo para a Fiat cuja família Palio (Palio, Palio Weekend, Adventure, Strada) e Uno (Mille e Novo Uno), somados, venderam até então mais que os modelos Volkswagen.

A aposta é alta porque o Gol mais barato, o geração 4, deixou de ser fabricado em 2013 (há ainda algumas unidades remanescentes à venda nas concessionárias da marca), por não oferecer freios com sistema antitravamento (ABS) e bolsas infláveis (airbag), exigência de lei que entrou em vigor este ano.

Mesma situação do Fiat Mille e da VW Kombi que também foram "descontinuados" -- eufemismo do setor para os modelos que deixaram de ser produzidos -- em dezembro último.

O up! será vendido em quatro versões de acabamento (Take up!, Move up!, High up! e as topo de linha Red up!, White up! e Black up!, que diferem uma da outra apenas pela cor), todas com o mesmo motor, o 1.0 de três cilindros (quatro válvulas por cilindro), que desenvolve até 82 cavalos quando abastecido com etanol e 75 cv quando abastecido com gasolina.

É o mesmo motor já utilizado no Fox BlueMotion, um dos modelos que menos bebe combustível no Brasil. Por isso não foram surpresa os bons números de consumo obtidos pelo up! em medições aferidas pelo Inmetro: 13,2 km/litro de gasolina na cidade (9,1 km/l com etanol) e 14,3 km/l na estrada (9,9 km/l com etanol), o que lhe rendeu nota máxima na categoria.

Se o Gol G4 sai de linha por não disponibilizar equipamentos de segurança agora obrigatórios, o up!, já com esses equipamentos, deu um banho nesse quesito: conquistou nota máxima (cinco estrelas) nos crash-tests que avaliam a proteção de adultos do Latin NCAP, entidade independente que analisa automóveis sob o aspecto da segurança.

Inicialmente o up! será vendido apenas na configuração com quatro portas e transmissão manual de cinco marchas, mas é certo que em breve será disponibilizado modelos com carroceria de duas portas e também a opção de transmissão automatizada I-Motion.

O up! foi apresentado pela primeira vez no Salão de Frankfurt de 2007 e entrou em produção na Europa em 2011, mas a versão brasileira é cerca de 6,5 cm maior em comprimento e 2 centímetros mais alta que seu irmão europeu (o que elevou o tamanho do porta-malas de 221 para 285 litros, a mesma capacidade do Gol que é cerca de 30 cm maior que o up!), além de ter um tanque com maior capacidade de combustível (50 litros contra 35 l no de lá), seguramente por causa da maior sede do nosso etanol.

Também são exclusivos do modelo tupiniquim a tampa traseira (do porta-malas) em aço -- já que na europeia é uma bonita peça em vidro -- e vidros das portas traseiras que descem normalmente (apenas com manivela, nada de vidro elétrico atrás). No modelo europeu os vidros das portas traseiras são basculantes, opção descartada pela VW para o consumidor brasileiro.

A Volkswagen anunciou que a versão de entrada (Take up!) do up! será de R$ 26.900 (duas portas) e R$ 28.900 (quatro portas). De série, o up! básico já traz bolsas infláveis frontais (airbags) e freios com sistema antitravamento (ABS) como manda a lei, mais distribuição eletrônica de força de frenagem (EBD), dupla fixação de cadeirinha infantil (Isofix), regulagem de altura do banco do motorista e pouca coisa a mais.

As versões mais caras do up! seguramente passarão de R$ 40 mil.

A empresa alemã espera que o up! seja o primeiro automóvel de muitos brasileiros, mas a (santa!) concorrência não vai facilitar o caminho para ele: a Ford deve lançar em breve o novo Ka (que pela primeira vez terá uma versão quatro portas), a Nissan trará o novo March, a chinesa Chery irá lançar o novo QQ que será produzido por aqui ainda esse ano, sua conterrânea Geely trará o compacto GC2 (que deverá ser montado no Uruguai), a Fiat prepara um novo compacto para 2015, assim como a GM que trabalha em um substituto do Celta também para o ano que vem.

Onde é que vai caber tanto carro é que eu não sei.