OPINIÃO
02/09/2015 00:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

De que lado você está?

Fiquei surpreso ao ouvir essa pergunta em uma reunião de amigos após eu ter repudiado o tratamento ofensivo que o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo

Fiquei surpreso ao ouvir essa pergunta em uma reunião de amigos após eu ter repudiado o tratamento ofensivo que o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (PT) recebeu neste domingo na avenida Paulista, em São Paulo.

Sem seguranças, passeando como um cidadão comum, o ministro se deparou com uma turba furiosa que o xingava enquanto ele respondia às perguntas lhe dirigidas por um senhor ao entrar em uma livraria na avenida Paulista.

Não deixa de ser uma cena curiosa, pouco mais de uma década atrás ela poderia ter sido feita por petistas contra um ministro do governo FHC.

Algumas pessoas podem achar que simpatizo com o atual governo por ter feito o comentário acima, mas muito pelo contrário: tenho simpatia por ideais liberalistas, sou a favor do livre mercado e da menor intervenção possível do governo na economia e na vida dos cidadãos.

Também repudio a maneira que Lula e Dilma conduziram esse país durante todos esses anos, mentindo, desviando bilhões dos cofres públicos para favorecer amigos aqui e no exterior e arruinando a nossa economia.

Sempre tive aversão a políticos populistas que ao invés de admitirem seus erros procuram inimigos externos para justificá-los. Não deixa de ser patética a declaração de Lula ao afirmar que "as elites desse país querem criminalizar o PT porque estão inconformadas pela melhoria de vida dos pobres", fingindo que não sabe que os 93% da população que reprova Dilma o faz na verdade pelos escândalos e roubalheira que os petistas cometeram durante seus anos no poder e que a verdadeira elite deste país, formada por banqueiros e grandes empreiteiros, são na verdade os maiores apoiadores deste governo.

Por isso saí às ruas para protestar contra o governo Dilma em março, abril e nessa última manifestação em agosto. E irei em tantas outras que aparecerem.

Por favor, não venham me rotulando de homofóbico, conservador, fundamentalista cristão, 'de direita', e demais clichês. Eu não sou nada disso. Sou a favor que as pessoas sejam felizes com a opção sexual que escolherem, a favor da legalização das drogas leves e do aborto, sou agnóstico e totalmente contra a volta dos militares ao poder.

E, como acredito que a maioria dos descontentes dessa nação, apenas discordo de como os petistas agiram desde quando assumiram o poder. Não concordo com o argumento que no Brasil sempre foi assim, que todo político rouba, etc. Nenhum crime justifica outro e todo crime deve ter castigo.

Defendo que Cunha, Aécio, Collor, Lula, Renan e todo e qualquer político acusado de ilicitudes sejam investigados e, caso sejam comprovadas irregularidades cometidas por eles, que sejam punidos com o mesmo rigor da lei.

Acho uma grande bobagem essa tentativa de rotular as pessoas apenas como 'coxinhas' ou 'militontos' por não compartilharem da mesma opinião política. Eu não sou igual a você e você não é igual a ninguém. Somos únicos em nossas escolhas, opiniões e gostos e acho bom que seja assim.

Não sou idiota para tentar desqualificar a genialidade de Chico Buarque, que é para mim um dos maiores compositores de toda nossa história, só porque não concordo com a visão política dele.

Nem com o Gregório Duvivier, cujo trabalho admiro tanto como ator como por sua coluna na Folha de São Paulo. Tenho que odiá-lo e parar de assistir o 'Porta dos Fundos' porque temos opiniões políticas diferentes...?

Sinto muito, mas me recuso a levar a vida como se só existissem Corinthians e Palmeiras, Flamengo ou Fluminense. Eu nem gosto de futebol.

Estamos vivendo tempos perigosos. Essa semana que passou Emanuelle Thomaziello, uma militante de esquerda, sacou uma faca e rasgou o tal boneco inflável 'pixuleco' que simboliza a indignação de manifestantes contra o governo na frente da Prefeitura de São Paulo. Sabe-se lá o porquê dela portar uma arma branca no centro da cidade, mas apesar da fama repentina que obteve entre seus pares, seu gesto teve pouco efeito prático: no domingo o 'pixuleco' estava lá novamente protestando na Paulista em frente ao TCU. Militantes petistas e manifestantes contra o governo trocaram ofensas e só não foram as vias de fato porque a Polícia Militar interviu.

Foi nesse ambiente que o Ministro da Justiça foi ofendido na Paulista.

Dias atrás, Evo Morales, presidente da Bolívia, disse que o exército boliviano poderia agir para defender a Dilma caso ela sofresse 'um golpe'. Para mim o único golpe que está acontecendo é nas contas públicas, mas vá lá. Com o mesmo raciocínio (ou falta de), o presidente da CUT e do MST já disseram que seus militantes estarão prontos para defender o governo. Um membro da organização de esquerda 'Brigadas Populares' disse em uma palestra na Universidade Federal do Espírito Santo que o inimigo deles 'é a classe média' e que eles terão que decidir o que fazer com eles (a classe média): exportar para Miami ou se vão fuzilar.

Um monte de bobagem dita por demagogos irresponsáveis para plateias amestradas, é claro.

Mas essa crescente demonstração de ódio das duas partes é preocupante. Hoje já assistimos pela internet diversos vídeos de cidadãos comuns incitando a violência contra seus desafetos. Como este aqui.

E, é claro, o outro lado também incita o ódio:

Se o cenário do depoimento desse advogado fosse os Estados Unidos, terra da liberdade de expressão, o FBI já teria levado ele em cana por ameaça de morte ao presidente da República.

O fato é que esses depoimentos irresponsáveis que incentivam o ódio pode fazer algum cabeça fraca partir para a violência mesmo.

Daí, o que pode acontecer se alguém morrer em um desses confrontos? O Brasil entrará em uma guerra civil?

Eu repudio sim, quem usa de impropérios para tentar desqualificar quem pensa diferente simplesmente porque ofensa não é argumento. Divergir não é agredir. E também defendo que todos que incitam a violência também devam ser penalizados por isso.

Não foi para isso que lutamos tanto por democracia. E democracia significa você ouvir coisas que não necessariamente concorda, mas com a mesma liberdade para expor a sua opinião.

E, respondendo à pergunta do início desse texto, o lado que eu estou é o da ética, do respeito, da democracia e da livre opinião.

Mesmo que você não concorde comigo.

Galeria de Fotos Protestos contra o governo Dilma Veja Fotos