OPINIÃO
14/03/2014 15:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Corolla 2015 é o mesmo de sempre

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A Toyota apresentou essa semana a nova geração do Corolla. O modelo, que briga acirradamente no Brasil com o Honda Civic pela liderança na categoria de sedans médios (está em segundo lugar em vendas), ganhou uma benvinda remodelada para tentar ultrapassar o arquirrival.

Embora fosse um carro mundial, o Corolla tem versões distintas para o mercado norte-americano, europeu e japonês. Para o Brasil foi escolhida a versão europeia - um pouco mais sofisticada no visual - o que tentaria justificar o alto preço cobrado pelo modelo por aqui.

Afinal nos EUA o Corolla é um dos carros mais baratos do mercado, mas na Europa há vários modelos menores e mais baratos que ele.

O design ficou sem dúvida mais atraente e sofisticado. Dessa vez a Toyota não fez um 'lifting' no carro, aquele tipo de mexidinha que as montadoras fazem de tempos em tempos para dar mais frescor a um modelo envelhecido. O Corolla 2015 (sim, ele já será lançado essa semana como modelo 2015), é uma nova geração de um veículo que fez sua estreia em 1966 e que já vendeu (somadas todas as gerações) quase 40 milhões de unidades em todo o mundo.

Em relação à geração que deixa de ser produzida essa semana, o Corolla está 8 cm maior em comprimento e 8 cm maior em largura. Isso, mais o fato que as caixas de rodas foram deslocadas para as extremidades da carroceria, fizeram com que a distância entre os eixos dianteiro e traseiro aumentasse em 10 cm, o que refletiu em maior espaço para os passageiros que viajam no banco de trás. O porta-malas no entanto, continua com a mesma capacidade (470 litros).

Embora os motores fossem os mesmos 1.8 e 2.0 de quatro cilindros e blocos de alumínio da geração anterior (com variação de tempo de abertura das válvulas de admissão e escapamento), houve um remapeamento que resultou em imperceptíveis alterações em potência e torque. Agora, o motor 1.8 desenvolve de 139 cv a 144 cv com torque máximo de 18,4 kgfm, e, o de 2,0 litros, desenvolve de 143 cv a 154 cv com torque máximo de 20,3 kgfm.

Bom lembrar que a potência e torque atingem seus melhores números apenas com etanol no tanque.

Para proporcionar maior conforto, o Corolla recebeu um sistema de partida a frio que pré-aquece o etanol, dispensando o tanque suplementar de gasolina.

Sai de cena a antiga caixa de transmissão de 4 velocidades e entra uma do tipo de variação contínua (CVT), chamado pela Toyota de Multi-Drive que simula sete velocidades. O concorrente Nissan Sentra faz uso de uma caixa semelhante.

A Toyota informa que o Corolla 2.0 com essa transmissão consegue acelerar de zero a 100 km/h em 9,6 segundos, ante 11,6 segundos da versão descontinuada.

Na linha 2015, o Corolla nacional será vendido em apenas três versões de acabamento: GLi, XEi e Altis (deixa de ser produzida a mais simples XLi). A GLi é a única que utiliza o motor de 1,8 litro e que pode vir com transmissão manual (de 6 velocidades). Custa a partir de R$ 66.570. Já com a transmissão Multi-Drive, sai por R$ 69.990.

A XEi só pode vir com o câmbio Multi-Drive S (o 'S' é com borboletas atrás do volante para mudanças rápidas) e motor 2.0. Começa em caros R$ 79.990. Já a topo de linha Altis, também com transmissão Multi-Drive S, motor 2.0 e com tudo o que o Corolla pode ter, sai por salgados R$ 92.990.

O Corolla mais simples já vem com ar-condicionado (manual), direção hidráulica, computador de bordo, sistema de som com CD Player/MP3 com Bluetooth, faróis de neblina, rodas de 16 polegadas, comandos elétricos para vidros, retrovisores e portas, regulagem de altura e profundidade do volante de direção (que é multifuncional), os obrigatórios airbag e ABS, mais o controle de distribuição eletrônica de frenagem (EBD), que distribui a força entre os eixos.

O intermediário XEi (que hoje é o mais vendido na linha), acrescenta bancos e revestimentos internos em couro (cinza), ar-condicionado e velocímetro digital, sistema multimídia com tela touchscreen de 6,1 polegadas com GPS, televisão digital e câmera traseira para manobras, controlador de velocidade, vidros elétricos com sistema de toque único nas quatro portas e mais algumas coisinhas.

Já o Corolla de rico Altis, adiciona cortinas infláveis ao conjunto de airbags, faróis baixos com leds, sistema de partida sem o uso da chave, bancos em couro bege com ajuste elétrico para o do motorista, retrovisores externos com rebatimento elétrico e acendimento automático dos faróis.

Eu não consigo entender como um veículo que não consegue nem fazer 10 km/litro de etanol na estrada consegue obter a nota máxima (A) no programa de etiquetagem do Inmetro (Conpet), mas é isso que a Toyota informa que o Corolla recebeu desse órgão.

O Corolla 1.8 com transmissão manual (o mais econômico), consegue fazer 7,4 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada com etanol e 10,7 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada com gasolina. Já os 2.0 conseguiram fazer 7,2 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada com etanol e 10,6 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada com gasolina.

A verdade é que quem compra um Corolla não quer aborrecimento. É um bom automóvel: confiável, com reações de dirigibilidade previsíveis, baixo nível de ruído e com conforto e equipamentos acima da média. A isso, soma-se a facilidade de revenda o que resulta em pouca desvalorização.

Verdade que ele custa caro, mas que automóvel no Brasil é barato?

Por isso o Corolla 2015 mudou bastante... Para ficar igual ao que sempre foi.