OPINIÃO
12/03/2015 10:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

15 de março: eu vou

Não aguentamos mais ver tanta roubalheira, desvios de verbas públicas, obras superfaturadas que nunca são entregues (mesmo custando até dez vezes seu valor inicial), projetos que não saem do papel, promessas não cumpridas, favorecimentos pessoais, arrocho econômico, aumento da inflação e, a falta de um projeto de governo claro e transparente que promova o desenvolvimento econômico desse país, a igualdade social, saúde, transporte e segurança decentes para sua população.

Fernando Stankuns/Flickr
Manifestação de milhares de pessoas que tomaram as ruas de São Paulocontra aumento das tarifas e a péssima qualidade do transportee por dignidade, não-violência, respeito e contra a corrupção[The Brazilian people are on the streets, saying no to the corruptionand against rising rates and poor quality of transportand dignity, non-violence, respectManifestazione di migliaia di persone per le strade di San Paolocontro l'aumento dei prezzi e la scarsa qualità del trasportoBasta corruzione]Largo da Batata, Pinheiros.

Li aqui no Brasil Posta coluna de uma colega explanando seus bons motivos para não ir na mega (?) passeata planejada para domingo, 15 de março, em todo o Brasil.

Respeito a opinião dela e concordo com muitos dos motivos apresentados. Entre os organizadores da manifestação desse dia estão vários pequenos e barulhentos grupos de direita, muitos deles composto por jovens que não viveram no período militar, pregando a volta deles ao poder.

Parece que os defensores da solução 'golpe militar' ignoram o fato que muitos dos representantes do que há de pior em nossa política já estavam ativos durante este período (Sarney, Maluf, Collor, Quercia, etc.) e se as sacanagens que eles faziam naquela época não eram amplamente divulgadas era simplesmente porque não havia imprensa livre.

Não quero viver em uma ditadura nem de direita e nem de esquerda. Quero viver em um país onde os governantes tenham medo do povo e não o contrário. E isso se chama democracia.

E é por isso que vou sair às ruas no dia 15.

Para mostrar para a presidente Dilma, para os governadores e prefeitos de todos os partidos, para os membros do Congresso e do Judiciário que nós não concordamos com as barbaridades que eles estão fazendo no poder.

Não aguentamos mais ver tanta roubalheira, desvios de verbas públicas, obras superfaturadas que nunca são entregues (mesmo custando até dez vezes seu valor inicial), projetos que não saem do papel, promessas não cumpridas, favorecimentos pessoais, arrocho econômico, aumento da inflação e, a falta de um projeto de governo claro e transparente que promova o desenvolvimento econômico desse país, a igualdade social, saúde, transporte e segurança decentes para sua população.

E sobretudo, não aguentamos mais mentiras.

Dilma mentiu, prometeu várias coisas em campanha e está fazendo outras. Está aumentando impostos para cobrir o enorme déficit produzido por atitudes desastradas de seu próprio governo e diminuindo verbas até para gastos sociais, área que os petistas sempre se orgulharam de terem privilegiado e que eu sempre apoiei.

Pois bem, essa semana estamos acompanhando o martírio que tem passado os estudantes carentes que sonham em cursar uma universidade com verba do FIES. O governo aumentou a nota de corte do ENEM, diminuiu os repasses para algumas universidades, cortou verba e muitos alunos não conseguem mais o benefício que sonharam.

Deve ser parte da estratégia da campanha 'Pátria Educadora', mais uma peça de marketing do governo Dilma que tal como o "Minha Casa, Minha Vida" teve verbas diminuídas sensivelmente principalmente para a classe mais pobre da população.

O barril de petróleo chegou esse ano aos menores preços no mercado internacional em seis anos. Dilma aumentou o preço dos combustíveis para compensar o rombo (ou roubo) que seu governo promoveu na Petrobras, empresa que vale hoje quase sete vezes menos do que valia em 2008.

Dilma durante a campanha criticou exaustivamente a política econômica defendida pelo seu concorrente e opositor Aécio Neves.

Nada como um dia após o outro, ganhou a eleição e adotou a mesma política.

Quer gastar menos? Deveria para começo de conversa diminuir a gigantesca quantidade de ministérios em seu governo.

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, dois dos presidentes mais lembrados por suas conquistas trabalhistas e obras (além da ditadura e rombo nos gastos públicos), administraram esse país com apenas 11 ministérios.

Os Estados Unidos, a mais poderosa economia do mundo, tem 15. Na Alemanha, a maior economia da Europa, são 17. FHC, o culpado por todos os males do Brasil desde seu descobrimento de acordo com os petistas, contava com 24 ministérios.

Para beneficiar aliados distribuindo ministérios entre os partidos que o apoiavam, Lula aumentou para 37.

E Dilma para 39.

Além de ser um número absurdo, a qualidade técnica de seu ministério é uma piada.

Cid Gomes, aquele que disse que 'professor tem que trabalhar por amor e não por dinheiro' foi escalado para ser... o Ministro da Educação!

Alguém sabe quem é Antonio Rodrigues, o tal Ministro dos Transportes? Ele foi indicado pelo Valdemar Costa Neto, homem forte do Partido da República (PR) que renunciou ao mandato de Deputado Federal depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 10 meses de prisão no regime semiaberto por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

George Hilton, do PRB (Partido Republicano Brasileiro) é o novo Ministro do Esporte, o homem responsável pela próxima Olimpíada no Rio de Janeiro. Ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, foi expulso do antigo PFL por corrupção. Conhecimento da área? Zero. Seus assessores tentaram apaziguar a situação dizendo que ele 'está estudando a área com afinco'.

Sabemos que não é apenas o PT que vem fazendo coisa errada.

A população de várias cidades de São Paulo vem sofrendo as consequências da falta de planejamento do governo tucano que há anos governa o Estado.

Em Roraima, a governadora Suely Campos (PP) nomeou ao todo nada menos que 15 parentes (filhas, irmãs, sobrinhos) para a estrutura de governo estadual. Ainda teve o disparate de criticar o Ministério Público dizendo que "é uma prática comum na história de Roraima a nomeação de pessoas próximas aos gestores para ocupar importantes secretarias, tanto na esfera estadual como municipal".

Dá para a gente ficar quieto? Tem mais que ir às ruas no dia 15!

Estarei lá para fazer coro a todos que estão descontentes dos rumos que este país está tomando, para demonstrar repúdio ao irresponsável discurso que Lula fez em ato de defesa da Petrobras: "Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar, sobretudo quando Stedile colocar o exército dele do nosso lado"

Que presidente é esse que divide o país e incita uma guerra civil...?

MST marcha na Bahia

Estarei lá para protestar de ter Eduardo Cunha e Renan Calheiros, dois acusados de terem sido beneficiados pelo Petrolão, no comando da Câmara dos Deputados e do Senado (você pode assinar um abaixo-assinado contra a permanência deles no Congresso aqui.

Estarei lá para pressionar para que todos os envolvidos em atos de corrupção, favorecimento pessoal e desvios de verbas sejam punidos pela lei com rigor, independente deles serem petistas, tucanos, do PMDB ou de que partido forem.

Crime e castigo, a Justiça deve ser igual para todos.

Acredito que, assim como nas passeatas de junho de 2013 tiveram como fator agregador os tais 'vinte centavos', muita gente que foi naquelas passeatas estava na verdade protestando contra tudo que está errado neste país. E vamos lembrar, eles, os políticos, tremeram. A PEC 37, por exemplo, que tiraria poder de investigação do Ministério Público, foi abortada.

Espero que isso se repita neste domingo.

Afinal, não queremos golpe da direita nem da esquerda, queremos democracia.

E nada mais democrático do que sair às ruas para protestar.