OPINIÃO
05/02/2014 18:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Analisar é melhor que prever

The Facebook Inc. application is displayed an Apple Inc. iPad Air in this arranged photograph in Washington, D.C., U.S., on Monday, Jan. 27, 2014. Facebook Inc. is expected to release earnings data on Jan. 29. Photographer: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images
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The Facebook Inc. application is displayed an Apple Inc. iPad Air in this arranged photograph in Washington, D.C., U.S., on Monday, Jan. 27, 2014. Facebook Inc. is expected to release earnings data on Jan. 29. Photographer: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images

Em apenas 33 dias de 2014, faltando 332 para o final do ano, já sobravam em qualquer ponto da internet inúmeras certezas sobre o breve futuro do mundo digital. Por enquanto, a previsão de maior repercussão envolve o destino do Facebook, que estaria perdendo a audiência dos mais jovens e se transformando em um serviço para adultos, em especial pais, mães e avós interessados em acompanhar a rotina digital dos seus rebentos. Nesse campo entraram desde os conhecidos palpiteiros até a inconfundível universidade americana de Princeton, que comparou o destino do Facebook ao ciclo de vida de um vírus. Essa lógica foi adotada em todas as direções, mas no atual contexto de informações em tempo real e uma rede cada vez mais generosa na produção de informação é importante separar as verdadeiras ondas das marolas.

No final de 2012, por exemplo, acompanhamos as notícias sobre o fim do Orkut, a primeira rede social que atraiu em massa os internautas brasileiros. As previsões diziam que em pouco tempo a rede deixaria de frequentar os computadores dos internautas. Só faltou combinar o velório com os milhões de brasileiros que continuam utilizando o serviço do Google. É certo, a audiência do Orkut está caindo. Entre fevereiro e dezembro do ano passado, ele perdeu 10 milhões de usuários, mas no último mês do ano, 6 milhões de internautas consultaram o Orkut e lá permaneceram, em média, 4,2 minutos, o dobro de tempo daqueles que visitaram o Instagram. Os dados são da consultoria Comscore.

Prever é tentar controlar. É desse modelo que devemos nos afastar quando olhamos internet e redes sociais. É ingênuo acreditar que previsões são suficientes para entender o universo digital. Às vezes, o que acontece é um bando de "especialistas" correndo atrás do próprio rabo, como cachorros sem dono. Ao contrário disso, quando se analisa uma situação é recomendável que várias fontes sejam consultadas, incluindo algumas de natureza off-line. Quanto mais informação de qualidade melhor. Dentro dessa perspectiva, o caminho natural é construir cenários de acordo com a realidade de cada situação. É preciso entender o que acontece quando nada acontece.

Por isso, neste início de 2014 gostaria de fazer uma proposta. Vamos guardar todas as previsões para em exatos 332 dias analisar o que se cumpriu e aquilo que mais uma vez serviu para justificar as crenças dos especialistas de plantão. Até lá, o caminho mais objetivo é construir cenários e analisar dados de maneira estruturada.

A única certeza que devemos ter este ano é o sucesso do Brasil Post, edição brasileira do Huffington Post.