OPINIÃO
24/03/2014 17:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Não dá para ser mãe sem ensinar felicidade

Creio que a gente não sabe o que é a felicidade verdadeira até o dia em que morre. A vida é feita de uma caminhada imprevisível onde, vez ou outra, a gente se depara com algo que ganha a definição de felicidade. Quando isso acontece, impossível classificar novamente como felicidade tudo o que veio antes, só pode ser aquilo que a gente acabou de encontrar.

Eu achei que tinha encontrado a felicidade quando pousei meus olhos nos olhos do meu filho pela primeira vez. Ali eu podia morrer, nada seria mais feliz que aquele momento. Aí, trinta segundos depois re-encontrei a felicidade quando dei o primeiro beijo e ele parou de chorar na hora. Meu caminho passou a ser feito de tantas novas felicidades que não sei mais como era ser feliz antes.

Nada é mais importante para um ser humano que a felicidade, não só o conjunto desses momentos mas também o olho atento para identificar quando eles passam pela gente e o coração aberto para viver com plenitude. Mais que isso, o centro de tudo é a crença plena de que temos o direito de buscar a felicidade.

Parece uma obviedade mas, quando se fala em felicidade, as pessoas tratam como se fosse perfumaria, algo pequeno, menor, desimportante. As coisas importantes são aquelas práticas, comprar essa ou aquela casa, carro ou transporte público, escola assim ou assado, passar no vestibular tal, comer isso ou aquilo, fazer exercício ou ser sedentário.

Num campo mais amplo, as coisas tidas como importantes são aquelas decisões às quais se dá o peso de mover o mundo, as grandes ações políticas e o que faz girar a economia. Nesse contexto, a felicidade é algo a ser espremido entre os cantinhos que sobram das grandes coisas, se der, se couber, se for possível.

O pior é que existe uma tendência a ensinar os filhos a viver assim. Apresenta-se aos filhos um rol de tarefas a cumprir, um caminho pronto, um jeito de se portar e de viver que, em tese, seria o melhor. Mas a questão é: esse "melhor" leva em conta a felicidade? E o mais importante para nós, afinal, é ter um filho do jeito que a gente gostaria ou ter um filho feliz?

Sexta passada (21), foi o Dia Internacional da Felicidade, instituído em votação da Assembleia Geral da ONU em 2012 para reconhecer a relevância da felicidade e do bem estar como aspiração das pessoas e motivar os governos a incluir esses temas nas políticas públicas. (Aliás, nesse link tem vídeos bem legais sobre o assunto.)

Mas, antes que a gente se dedique a analisar o quanto o governo tem se preocupado com a felicidade, que tal olhar dentro de casa? Qual foi a última vez que você perguntou ao seu filho se ele está feliz? Eu costumo discutir em casa o que é felicidade, como a gente sente, tento falar todas as noites sobre o momento mais feliz do dia e por que ele é tão especial.

Desenvolvi o exercício de estabelecer o parâmetro do quanto este ou aquele objetivo vão trazer felicidade para a minha vida e, confesso, tenho tomado ultimamente decisões sensacionais que boa parte das pessoas não entende. Eu acredito que minha principal tarefa de mãe é ensinar meu filho a buscar a própria felicidade. E só tem um jeito de ensinar isso: fazendo.