OPINIÃO
25/04/2014 14:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:24 -02

Mãe que volta a trabalhar: 7 dicas para colar os cacos do coração

Foi uma decisão tomada à base de muita lágrima. Não tem dor maior ou menor na volta ao trabalho, não tem convicção que evite o nó na garganta. Mas também não tem porque baixar a cabeça.

JGI/Jamie Grill via Getty Images

Parece o primeiro dia de aula quando a gente era criança ou a chegada sozinha em outro país. Voltar a trabalhar depois de passar meses só cuidando do filhote é, ao mesmo tempo, um alívio - não vamos mentir que o nariz cresce - e um vazio infinito.

A mãe volta a trabalhar porque precisa ou porque quer. Eu voltei porque quis mas nada é tão cartesiano. Eu ficaria sem ter como comprar comida se não trabalhasse? Sim, ficaria. Mas não voltei a trabalhar só pela necessidade, foi também porque eu quis e quero essa vida para mim. Acho também que sou uma mãe melhor se for um ser humano feliz.

Foi uma decisão tomada à base de muita lágrima. Meu último emprego terminou um mês antes do nascimento do meu filho, quando eu voltei ao Brasil. Eu não tinha licença-maternidade, tinha é que procurar outro emprego. A primeira oportunidade foi por indicação de um amigo querido, trabalho de uma semana. Imagina onde? Equador.

Como nada é fácil, lá fui eu de mala e cuia, deixando uma semana - sim, senhores, uma semana completa - de leite tirado do peito. Meu filho tinha 3 meses e eu nunca tinha ficado separada dele mais do que o tempo do meio banho que ele me deixava tomar, às vezes sob protestos.

Decisão tomada, família dando a maior força, tias, tio e madrinha empenhadíssimos na função, chega o meu táxi de madrugada. Comecei a chorar. Chorei do táxi até o aeroporto de Quito, incluindo a conexão em Lima, num nível de a polícia vir oferecer ajuda.

Enfim, todos sobrevivemos e agora tenho a convicção de que ele nem deve ter percebido minha ausência. Não tem dor maior ou menor na volta ao trabalho, não tem convicção que evite o nó na garganta. Apesar de eu não ser ninguém para dar conselho, vou dividir 7 dicas dicas que me ajudaram a superar essa fase:

1. Não ligue para o julgamento dos outros. Mesmo. De todas as pessoas.

Você é mãe, isso já é suficiente para qualquer decisão sua ser condenada. Voltou a trabalhar? Culpada. Optou por não trabalhar fora e cuidar dos filhos? Culpada também.

Todas as decisões que você tomar na criação do seu filho serão criticadas, a volta ao trabalho é apenas uma amostra grátis da sua nova vida em sociedade.

2. Não se justifique.

Se você está voltando ao trabalho agora, já sabe que todo mundo - principalmente quem não tem filhos - sabe todas as dicas infalíveis que você deveria aplicar no seu dia-a-dia. Não perca com essas pessoas o tempo que você não tem.

Não justifique suas atitudes de mãe, de profissional, de cidadã, de mulher. Quem te ama entende esse momento delicado e quem não entende também não interessa.

3. Não minta para você mesma.

É cômodo falar que voltou a trabalhar porque precisa ou optou por ficar em casa porque não tem quem cuide dos filhos, as pessoas geralmente compreendem e não detonam muito a gente. Mas até onde isso é verdade mesmo?

Assuma a verdade, ainda que seja só para você mesma. Aceite sua decisão sem culpa, sem questionamentos sobre o seu caráter. Você tem o direito de ser quem é, a mãe que é.

4. Aceite o fato de ser humana.

Tem vontade de chorar de saudades do bebê porque está há 45 minutos fora de casa e a 10 horas de sentir aquele cheirinho de novo? Chore.

Quer ligar e ouvir a vozinha do bebê no telefone? Ligue. De novo? Ligue.

Chegou em casa e não quer fazer nada além de pegar o bebê no colo? Pegue.

Não somos capazes de controlar nossas emoções e não precisamos embarcar nessa onda de ser normal a qualquer custo. A emoção faz parte da maternidade e da vida.

5. Entenda que você não é e nem precisa ser perfeita.

Não conseguiu tirar leite do peito para todas as mamadas? Apertou o snooze e não passou aquela meia horinha de qualidade com o bebê antes de sair? Está sem nenhuma energia ou paciência para uma brincadeira à noite? Achou que limpou o vômito da blusa mas foi trabalhar manchada? Então, é assim mesmo.

Encare com humor e aprenda a viver de uma forma diferente, até porque não tem outro jeito.

6. Foque no que você tem em vez de lamentar o que não tem.

É tentador entrar naquele loop de pensamentos que consome a gente sobre o tanto de tempo que ficamos afastadas do bebê. Não faça isso.

Pense no que você tem, nas horas que você passa com ele. Planeje o que vai fazer em vez de lamentar o que não pode fazer. Faça uma coisa de cada vez.

7. Encare as mudanças de coração aberto.

Os valores do mundo do trabalho ainda são macho man por aqui: quem manda provavelmente terceirizou o cuidado, a responsabilidade e até a relação afetiva com os filhos. São pessoas que acham isso tão correto e coerente que vão dar aulas a você.

Portanto, se você quer ser mãe em algum lugar além do facebook e do porta-retrato, aprenda a lidar. Há duas escolhas: encarar um dia-a-dia cheio de gracinhas e malabarismos ou uma mudança profissional. Eu optei pela segunda, duas vezes. Deu certo.

Você já passou pela primeira mudança radical: ser mãe. Todos os seus dias são agora diferentes do que eram antes e provavelmente diferentes do que você imaginava no início do dia. Se você ama isso, sabe na prática o quanto a mudança dói e é linda ao mesmo tempo.

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