OPINIÃO
12/06/2014 09:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Deixa a molecada torcer em paz, vai!

Você certamente conhece pessoas convictas de que torcer para o Brasil é sinônimo de apoiar cegamente o Governo Federal. Também conhece quem acredita que o único jeito de discordar das promessas não cumpridas e do uso indevido de dinheiro público é perder mais ainda, nem torcer. Deixe essas pessoas longe de crianças, muito longe.

MAURICIO CAMARGO/ELEVEN/ESTADÃO CONTEÚDO

Perguntei, durante os últimos meses, por que me enche tanto o saco essa canalhice de querer relacionar amor à Seleção Brasileira com política.

Tem muita gente nas redes sociais dividindo o mundo em duas partes. A primeira é de quem vai torcer pelo Brasil e portanto, obrigatoriamente, #vaitercopa e pelego governista. A segunda é de quem não vai torcer porque acha os pelegos governistas tão importantes a ponto de #nãovaitercopa.

Ou seja, a Seleção Brasileira vai para o Haiti e o Iraque levar paz e alegria mas, para nós, os brasileiros, tem que virar motivo de guerra por oportunismo político de meia dúzia que fazem do ódio instrumento diário de trabalho.

Esses dias me deparei com o livro do Cláudio Dienstmann, Futebol em Frases (link) e entendi tudo: a relação entre futebol e política é historicamente perversa.

Grande defensor da tática foi Joseph Goebbels, o homem forte da propaganda nazista. "Uma vitória no campo de futebol durante uma guerra pode ser mais importante do que a conquista de uma cidade inimiga, porque fará com que as pessoas sofram menos com a falta de comida e os filhos mortos", frase de Goebbels.

Assim que assumiu o poder em 1933, Hitler proibiu que judeus participassem do futebol alemão como jogadores, donos de clubes, jornalistas e até patrocinadores. Isso não é julgamento de valor, é história.

E daí eu chego na molecada, nos nossos filhos: vamos jogar as crianças num caldeirão de gente movida a ódio e interesses políticos?

Meu filho tem 3 anos e sabe da vida do Neymar mais do que eu. Segundo ele, o trabalho do Neymar é pegar um avião e jogar bola para o Brasil ganhar. "E sabe o que é o Brasil, mãe? É onde eu moro e eu adoro onde eu moro." Ele e os amigos estão todos empolgados com as bandeirinhas, as cornetas, a bola, a chuteira, a camisa da Copa.

Os jogos do Brasil estão entre minhas lembranças felizes de uma infância muito pouco feliz. As Copas da minha infância foram na Ditadura Militar e não me lembro de nenhum adulto querendo pautar minha torcida por política. Felizmente, não convivi com pessoas ruins o suficiente para roubar uma das minhas poucas alegrias em nome de um caprichinho.

Você certamente conhece pessoas convictas de que torcer para o Brasil é sinônimo de apoiar cegamente o Governo Federal. Também conhece quem acredita que o único jeito de discordar das promessas não cumpridas e do uso indevido de dinheiro público é perder mais ainda, nem torcer. Deixe essas pessoas longe de crianças, muito longe.

Pessoas que realmente acreditam ter o direito de esculhambar com a alegria dos outros podem até ser boas pessoas. Mas, podendo não ter nenhum tipo de contato com elas, passam seguramente a ser pessoas excelentes.

Eu tomei a decisão de ignorar os babacas do #vaitercopa e do #nãovaitercopa. Sugiro que você faça o mesmo e seja muito mais feliz. Compra lá sua bandeira, bota a camisa, enfeita a criançada. Deixa a molecada torcer em paz, vai!

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