OPINIÃO
25/06/2015 18:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Crianças cheias de vontades são uma benção, não uma praga

Meus filhos eram "determinados". Muitas vezes eram desobedientes. Testavam minha paciência o tempo todo. Tudo tinha de ser do jeito que eles queriam - ou então prepare-se para a gritaria. Comecei a me perguntar se essa determinação era um traço genético.

Quando meus filhos eram pequenos, às vezes me perguntava o que tinha feito de errado, pois todos tinham uma boa dose de "vontades". Eu observava as crianças de outras famílias, tão tranquilas e fáceis de agradar. Meus filhos eram "determinados". Muitas vezes eram desobedientes. Testavam minha paciência o tempo todo. Tudo tinha de ser do jeito que eles queriam - ou então prepare-se para a gritaria. Comecei a me perguntar se essa determinação era um traço genético.

Um certo domingo, estava no corredor da igreja com um Andrew especialmente difícil. Ele tinha uns três anos na época. Enquanto ele gritava, uma doce senhora veio até mim e disse: "Seus filhos são uma graça".

Olhei para meu filho se esgoelando e me perguntei se ela estava falando com a pessoa certa.

"Eles têm esse fogo", disse ela, "o que significa que eles serão capazes de grandes conquistas".

Respondi que esperava que ela estivesse certa, e ela me garantiu que estava. Sinceramente, fiquei um pouco surpresa com o timing daquela senhora. Ela me via na igreja toda semana e sabia da minha luta para controlar meus filhos. Sabia que eu passava mais tempo correndo atrás deles para lá e para cá do que nos encontros. Não entendi por que ela tinha escolhido justamente aquele momento, quando minha paciência estava se esgotando (e meu filho, gritando), para dizer que meus filhos tinham muito potencial.

Mas entendi que ela não era uma mulher qualquer. Ela era admirada por todos. Tinha criado cinco filhos incríveis. Era quieta, mas, quando falava, todos prestavam atenção, porque ela era a sabedoria em pessoa. Queria ser como ela. E ali estava ela, me dizendo que tudo acabaria bem com meus filhos, mesmo que naquele instante eu estivesse completamente assoberbada. Será que ela sabia da luta interna que eu tinha - nem sei por que insistia em ir à igreja -, me perguntando o que eu poderia ensinar para os meus pequenos? Quis acreditar nela desesperadamente. Mas como ela poderia ter tanta certeza? Ela não conhecia direito os MEUS filhos.

Indo para casa, pensando nas palavras dela, meu coração se encheu de esperança. Apesar das dificuldades, tinha de acreditar que ela sabia de algo que eu não sabia. Acho que ela sabia de MUITAS coisas que eu não sabia. E talvez... talvez... ela fosse a resposta das minhas preces - uma doce garantia de que essa fase não duraria para sempre, e que minhas crianças aparentemente impossíveis tinham vindo com tanta determinação porque PRECISARIAM disso para grandes conquistas em suas vidas. Essa ideia me reconfortou.

Desde então, me lembrei desse encontro várias vezes. Pensei naquelas palavras enquanto passava por fases difíceis com meus filhos. Pensei nelas quando vi as fases difíceis se tornarem fases doces de crescimento e compreensão. Pensei nelas ao testemunhar crianças impossíveis se tornarem adultos ponderados e automotivados, cuja determinação está enraizada no caráter, de forma a fortalecê-los e aos outros. Não tenho dúvidas de que aquela mulher sabia do que estava falando, tantos anos atrás. Como estou descobrindo agora, ela sabia que não há nada a temer em uma criança cheia de vontades. É uma BENÇÃO.

É claro que essas crianças precisam de direcionamento. Elas exigem paciência extra. Precisam de líderes fortes (pais) que gentil mas firmemente as lembrem de que elas ainda têm muito a aprender - que o jeito delas nem sempre é o melhor. Elas precisam de pais que possam ensiná-las como canalizar essa determinação para objetivos nobres, o que em si parece assustador.

Em certas ocasiões, ensinar essas crianças parecia falar com as paredes. Em certa ocasiões, achei que estava andando para trás, em vez de andar para a frente. Em certas ocasiões, tive vontade de erguer as mãos para o céu e gritar, e às vezes foi isso o que fiz. Mas também houve momentos em que me senti mais aluna do que professora. Houve momentos em que apenas observei, abismada com a determinação e a convicção dessas crianças. Nesses momentos, vi relances da força que existe dentro delas - uma força que ainda estava saindo do casulo.

Meu filho mais velho só tem 15 anos, e sei que ainda tenho muito a aprender. Anos vão se passar até que eu possa ver o resultado do meu trabalho. E sei que não há nada garantido, apesar dos meus esforços. Mas aprendi a confiar nas palavras da minha amiga, cujo conhecimento e sabedoria são muito maiores que os meus. Eles me mantêm no caminho quando as coisas ficam difíceis.

Talvez você também consiga encontrar conforto e força nas palavras dela. Confie nelas, como eu confiei, quando não conseguir discernir as árvores da floresta. Confine nelas quando se perguntar se a transformação de larva em borboleta vai um dia acontecer. Apoie-se nelas quando sua paciência for levada ao extremo e quando você tiver certeza de que um único dia a mais vai acabar com você.

Confie em minha amiga. Ela sabe.

Post publicado originalmente em Simply For Real

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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