OPINIÃO
14/05/2015 10:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Bolsonaro me mostrou como o preconceito está vivo e o quanto ele pode ser perigoso

Costumamos ter a ilusão de que isso faz parte do passado, mas hoje tive provas de que ele está aqui, ativo e entre nós, sendo espalhado pelas bocas de quem supostamente deveria disseminar isso: representantes políticos.

Grasielle Castro/Brasil Post

Entrevistar o Bolsonaro me ensinou muito sobre várias coisas. Então, porque não citar o que pude presenciar e quais certezas esse momento me proveu?

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Vi como é triste proferir de forma livre e gratuita o ódio ao próximo. Como pode ser desprezível o ato de jogar minorias no ridículo e de não olhar com nitidez os problemas e desigualdades que nos cercam.

Vi como o preconceito está vivo e o quanto ele pode ser perigoso. Costumamos ter a ilusão de que isso faz parte do passado, mas hoje tive provas de que ele está aqui, ativo e entre nós, sendo espalhado pelas bocas de quem supostamente deveria disseminar isso: representantes políticos.

Pude ver também o quão assustador é o comportamento de um homofóbico. Considerar que um homem gay, e nesse caso, seu colega de trabalho, "não é macho" pelo simples fato de não ser um reprodutor é arcaico, e mais do que isso, revoltante.

E apesar dos apesares, pude ter certeza de que, ao contrário do que o senhor Bolsonaro disse, nunca me senti tão unida às minhas amigas. Naquele momento, ser mulher me orgulhou. Não me senti como uma minoria, mas como uma pessoa que tem o privilégio de fazer parte de um gênero que luta. Que sonha por um mundo mais justo e igualitário. Livre de preconceitos, machismo e claro: do ódio escancarado.

Obrigada, deputado Jair Bolsonaro. Uma experiência inesquecível, apesar de revoltante.

Assista ao bate-boca: