OPINIÃO
27/03/2015 10:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

PIB 2014: 7 coisas que você precisa saber sobre o índice (e o que ele tem a ver com sua vida)

Divulgado nesta sexta-feira (27), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deixou a desejar. Com crescimento de 0,3% no último trimestre de 2014, o índice medido pelo IBGE fechou o ano com alta de apenas 0,1%, resultado inferior ao de 2013, quando subiu 2,7%.

gráfico pib 2014

Tal dado agrava ainda mais uma economia já fragilizada, que passa por ajustes fiscais, juros altos, inflação crescente e real desvalorizado diante do dólar, euro e de outras moedas. Tudo isso, é claro, impacta a confiança no País. Isso porque medidas de aperto econômico e indicadores com resultados ruins dão uma perspectiva negativa para investidores, que vão investir menos no Brasil, empresários, que vão adquirir menos equipamentos, produzir menos e demitir mais, e consumidores, que vão comprar só o necessário e pensar duas vezes antes de contrair uma dívida.

O PIB mede a atividade econômica do País, ou seja, nada mais é que o resultado de todo o ciclo descrito acima. Apesar de ser um dos indicadores mais importantes para o Brasil, ele é ainda desconhecido para muita gente. Uma rápida consulta ao Google Trends (ferramenta do Google que mostra os termos mais pesquisados no buscador) revela que um dos termos mais usados sobre o tema é 'o que é pib'. Para aqueles que têm uma vaga ideia do que ele é, outras perguntas pairam sobre o índice, como por que ele é importante ou como ele é calculado.

Veja abaixo 7 perguntas (devidamente respondidas) para você entender de vez o que é esse tal de Produto Interno Bruto:

1. O que ele é?

Primeiramente, o PIB nada mais é que um indicador para medir a atividade econômica do País. Ele soma as riquezas geradas pelos mais diversos setores (industrial, financeiro e serviços), mede a diferença entre o custo de se produzir e o que se obtém como fruto dessa produção, o chamado valor agregado. O indicador é composto por itens como consumo das famílias, despesas do governo, produção dos setores, ou seja, ele dá um panorama do que se produz, do que estamos consumindo, investindo e vendendo.

Para economistas, quando há queda de dois trimestres consecutivos no PIB, a economia está em recessão técnica.

2. Por que ele é importante?

Os números são um panorama do bem-estar da população. Se o PIB cresceu significa que o País produziu mais, que tem mais gente investindo nele, que o empresário contratou mais e que estamos consumindo mais. Com isso, a perspectiva é positiva aos investidores, que vão querer investir mais no País, empresas estrangeiras vão almejar abrir filiais por aqui, marcas de carros vão inaugurar fábricas, entre outras medidas que aumentam o número de vagas para nós, trabalhadores. Além disso, com mais concorrentes no mercado e mais disponibilidade de produtos e serviços, os preços tendem a cair ao consumidor, que por sua vez, se sente confiante em se endividar, já que sabe que seu emprego está garantido.

Em contrapartida, se o PIB vai mal, como é o caso atual, isso significa que a atividade econômica estagnou. Produzimos menos, investimos menos, consumimos menos e, consequentemente, temos menos emprego.

3. Como ele é calculado?

O PIB pode ser calculado de duas maneiras: pela soma das riquezas produzidas dentro do País (indústria, serviços e agropecuária) ou pela ótica da demanda, ou seja, consumo das famílias, gastos e investimento do governo e investimento das empresas privadas, mais a soma das exportações e das importações. Os dois cálculos devem chegar ao mesmo resultado.

4. Quem calcula o PIB?

No Brasil, o PIB é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a cada três meses.

5. Qual a diferença entre PIB nominal e real?

O PIB nominal é valor calculado levando em conta a inflação no período. Já o real é medido sem o efeito da inflação.

6. O que é PIB per capita?

O indicador é calculado a partir da divisão do PIB pelo número de habitantes da região, isso é, ele indica quanto cada habitante produzido no período.

7. Há críticas sobre o PIB?

O PIB não é capaz de captar todas as riquezas geradas no País, porque, para fazer o cálculo, o IBGE leva em consideração apenas as atividades legalizadas. Ficam de fora as informais, como o camelôs e a prostituição.

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre) mostra que só em 2014 o mercado informal deve ter movimentado R$ 830 bilhões, mais do que o PIB de Israel em 2013, que foi equivalente a cerca de R$ 742 bilhões.

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