OPINIÃO
13/04/2015 23:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Suely Campos faz balanço dos primeiros 100 dias de governo e admite que ainda não há o que comemorar

Pelo que deu para entender, Suely vai esperar o tempo desanuviar pelas bandas do Poder Legislativo para poder tentar emplacar algum projeto de relevância na Casa. No entanto, ela sequer insinuou que tenha alguma proposta de envergadura para encaminhar à apreciação dos deputados.

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A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), ofereceu um chá à imprensa e demais convidados para fazer um balanço dos seus primeiros 100 dias de governo. Tão logo começou a falar, voltou a repetir que recebeu o estado com "ares de terra arrasada" e admitiu que passou noites sem dormir, pensando no que faria para administrar um estado sem dinheiro e sucateado.

Depois desse introito, Suely passou a ler slides em que sua assessoria listou uma séria de feitos (que ainda não são possíveis de ver a olhos nus) que o governo já conseguiu produzir.

A governadora falou de melhorias na saúde, enfatizando que colocou o Hospital de Rorainópolis para funcionar devidamente, desafogando o Hospital Geral de Roraima (HGR). Suely disse que retomou as cirurgias eletivas e reduziu o tempo de espera por atendimentos diversos.

No campo da Educação, Suely reconheceu os problemas para começar o ano letivo - também por culpa dos desmando da gestão passada, segundo ela, e disse que está contornando os problemas primeiramente com a realização do seletivo para professores e a convocação dos mestres efetivos que estavam fora da sala de aula, além da reforma das escolas que estavam sucateadas.

Suely disse que conseguiu dar andamento às obras da BR 210, depois de ter resgatado o dinheiro destinado à reconstrução da rodovia, coisa que o governado anterior não o fez. E seguiu adiante na leitura de slides que tentava dar conteúdo para mostrar apesar de ter pouco para se ver de fato.

Numa informação que quase passa despercebida, a governadora informou que o programa Crédito Social, suspenso em janeiro, será retomado em breve com o nome de Crédito do Povo. É isso mesmo, o nome do programa vai mudar. Serão pagos, de início, segundo Suely, dois meses: um referente ao que está atrasado (que não é apenas um mês, diga-se) e outro já dentro da nova fase do programa.

Ao final do balanço, a governadora Suely ficou à disposição para falar com a imprensa. Pressionada por nós jornalistas, acabou tendo de admitir que ainda não há o que comemorar nesses 100 dias de governo. "Mas no final do ano vou fazer um outro balanço onde teremos mais ações para mostrar", afirmou um tanto sem jeito.

Eu perguntei sobre os motivos de até agora o governo não ter enviado nenhum projeto relevante para ser analisado pelos deputados estaduais, na Assembleia Legislativa. Suely respondeu, dizendo que os parlamentares não se mostram muito dispostos a colaborar com o governo, pois até agora rejeitaram a maioria dos nomes indicados por ela para os cargos da administração indireta, tendo aprovado apenas um nome.

Pelo que deu para entender, Suely vai esperar o tempo desanuviar pelas bandas do Poder Legislativo para poder tentar emplacar algum projeto de relevância na Casa. No entanto, ela sequer insinuou que tenha alguma proposta de envergadura para encaminhar à apreciação dos deputados.

Suely disse ter mantido o programa Ronda no Bairro e afirmou ter acabado com a cota de combustível. "Agora as viaturas andam de tanque cheio", disse. Mas, quando questionada sobre se a população se está segura, ela titubeou e não soube responder. Quis insinuar que a pergunta do repórter da TV Roraima era capciosa, mas, enfim, a entrevista acabou.

Mas no geral, como disse a própria governadora, ainda não há o que comemorar. O governo está conseguindo fazer o básico, que é pagar os servidores em dias, repassar o duodécimo dos poderes também em dia e de forma integral e manter os serviços essenciais. E só. Por enquanto.