OPINIÃO
08/06/2015 19:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02

Deputado Jalser Renier contrata 450 assessores e causa rombo no orçamento da Assembleia de Roraima

Isso apenas três dias depois das eleições de 2014, na qual se reelegeu como deputado mais votado da atual legislatura. Pior: os salários, na casa de R$ 1.000, foram pagos com data retroativa a março, causando um rombo sem tamanho no orçamento da Assembleia Legislativa.

reprodução/facebook

Está nas páginas da revista Veja que começou a circular na noite de sexta-feira (5) por todo o País. O deputado Jalser Renier (PSDC) teve a infeliz e atrapalhada ideia de reeditar o rumoroso escândalo dos gafanhotos (2003) ao contratar, em outubro do ano passado, 450 assessores para o seu gabinete. Isso apenas três dias depois das eleições de 2014, na qual se reelegeu como deputado mais votado da atual legislatura. A matéria de Veja se baseia numa denúncia feita pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) segundo a qual todos os contratados são cabos eleitorais que trabalharam na campanha de Jalser. Pior: os salários, na casa de R$ 1.000, foram pagos com data retroativa a março, causando um rombo sem tamanho no orçamento da Assembleia Legislativa.

Mas isso não é tudo. O número total de contratações, feitas em conjunto com o então presidente daquela Casa, deputado Chico Guerra (PROS) - Jalser à época era primeiro secretário da Assembleia - chega à casa das 1,2 mil pessoas. Todas as contratações têm indícios de ilicitudes e beneficiam outros deputados que participariam do esquema. Jalser Renier assumiu o mandato de presidente da Assembleia, em janeiro deste ano, convocando a imprensa para anunciar medidas de suposta austeridade para sanar as finanças da Casa, pois tria recebido uma dívida milionária da gestão anterior. Mas, pelo que mostra a Veja dessa semana, Jalser usou de dissimulação e mentiu descaradamente. Pelo que revela a Veja, Jalser estava apenas maquiando os demandos que ele mesmo criou para beneficiar a si próprio e aos deputados que participam do seu círculo de poder corrompido.

Seria esse o real motivo de Jalser ter decidido demitir mais de 800 servidores comissionados que prestavam serviço à Assembleia Legislativa há anos? Será que ele demitiu quase mil pais e mães de famílias sob a alegação de adequação das finanças do Poder Legislativo estadual apenas para acomodar mais um esquema vergonhoso de sua autoria? As evidências coletadas pelo Ministério Público apontam para esse caminho. Jalser já está todo enrolado com a justiça. Seu mandato está por um fio no Supremo Tribunal Federal (STF) e agora veio mais essa pá de terra na carreira política do influente deputado, que é cheia de ocorrências de "corrupção criativa", como salientou a revista Veja.

Tentando corromper indígenas

Em outra frente, o Ministério Público investiga um esquema montado por Jalser Renier para comprar votos nas áreas indígenas, de estudantes e de taxistas. O presidente da Assembleia Legislativa é alvo de um processo na Justiça Eleitoral por este motivo. Outro dia, eu ouvi de um taxista de lotação, que ele estava indignado porque, segundo ele, um representante da categoria teria recebido algo em torno de R$ 250 mil para distribuir entre os colegas, mas teria embolsado o dinheiro sozinho. Percebam o verbo na condicional.

Apesar de ter tentado, eu nunca consegui reunir provas concretas sobre o assunto. Agora, fico sabendo que o MPE investigava a mesma denúncia. Uma mulher de nome "Francisca Fátima Bezerra disse aos procuradores que 'presenciou muita compra de votos' e que 'a maioria das pessoas que recebiam as quantias eram muito humildes, algumas vezes apresentando receitas de remédios para receber'. Um índio que recebeu R$ 18 mil para distribuir em sua tribo se arrependeu e entregou o dinheiro ao Ministério Público, junto com material de campanha de Renier" (reprodução de trecho da reportagem da revista Veja).

A revista Veja mostra, com todas as letras, com base em informações do Ministério Público Eleitoral, que Jalser Renier e possivelmente mais alguns deputados, trataram de reeditar, pouco tempo depois das eleições passadas, o malfadado esquema dos gafanhotos. Até o modus operandi é semelhando ao usado no esquema de 2003 porque os contratados, segundo a publicação, são obrigados a devolver uma parte de dinheiro que recebem para os parlamentares que os contrataram.

Agora caberá à Justiça se pronunciar. Jalser Renier nega as acusações. Vai caber ao deputado provar que é inocente, que as acusações do MPE são inverídicas. Será que vai conseguir? Pelo histórico do MPE, a riqueza acumulada pelo "menino de ouro" ao longo dos seus mandatos como deputado de nada vai adiantar. Vamos continuar acompanhando.