OPINIÃO
23/06/2014 14:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Candidato a governo de Roraima responde a mais de 40 processos na justiça federal

Neudo diz que vai levar a sua candidatura até o fim. Mas, no fundo, teme que a Lei da Ficha Limpa abata seu voo em plena campanha.

Reprodução

Estão pré-definidos os nomes que pretendem disputar o governo de Roraima nas eleições deste ano. O último a se anunciar foi o ex-governador Neudo Ribeiro Campos (PP), que perdeu no segundo turno em 2010 para José de Anchieta (PSDB) por algo em torno de 0,8% dos votos válidos. Vencedor, o tucano acabou por fazer um governo desastroso e agora, como o ex-governador mais impopular da história recente de Roraima, quer se eleger senador.

Já tinham se anunciado como pré-candidatos ao governo de Roraima a senadora Ângela Portela (PT), que terá o aval da presidente Dilma Rousseff, o atual governador Chico Rodrigues (PSB), que se elegeu vice de José de Anchieta em 2010 e assumiu o cargo quando este se afastou do governo no dia 4 de abril deste ano, o médico Petrônio Araújo (PDT) e o bancário Robert Dagon (PSOL).

Na entrevista coletiva em que se anunciou pré-candidato, na sexta-feira passada, dia 20, Neudo Campos disse que voltar a ser governador de Roraima é uma questão de honra para ele. Na verdade, ele nunca engoliu a derrota sofrida para José de Anchieta - episódio que ele chama de roubo -, no segundo turno das eleições passadas.

Neudo disse que, durante meses, sonhou em destituir Anchieta no tapetão e assumir o governo, mas desistiu em junho do ano passado, quando viu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não iria julgar os processos pendentes contra os governadores encrencados com a Justiça Eleitoral. "Ali eu acordei do sonho e fiquei quieto", contou-me.

O progressista passou alguns meses calado e recluso, dando a entender que não entraria na disputa pelo governo, nas eleições deste ano. Enquanto esteve calado, Neudo foi namorado pela senadora Ângela Portela (PT), que sonha em governar Roraima, para ser seu candidato a senador. "Ele é o senador dos meus sonhos", disse-me certo dia Ângela. Mas, quando menos se esperava, Neudo saiu do seu silêncio e resolver incorporar o elemento surpresa da pré-campanha.

Mesmo enfrentando dificuldades para agregar partidos em torno da sua candidatura - tinha apenas cinco partidos, incluindo o seu PP, ele considera ter chances de causar um terremoto no tabuleiro político. Os demais partidos que o acompanham são DEM, PSD, PTB e PRP.

Neudo diz que só se vê como governador. Afirma que as pessoas também o veem como governador e que vai respeitar esse anseio dos seus simpatizantes. Ele espera receber os mesmos votos que obteve no primeiro turno das eleições de 2010 mais o sufrágio dos decepcionados com a administração Anchieta/Chico Rodrigues.

A entrevista coletiva da última sexta-feira serviu como evento de lançamento da pré-campanha de Neudo. Um evento tímido, com a presença de alguns poucos políticos, como o deputado estadual Brito Bezerra (PP), Evandro Moreira, irmão da ex-primeira-dama Marluce Pinto, esposa do falecido governador Ottomar de Souza Pinto, uma lenda da política roraimense, o vereador Paulo Linhares (PP), seu sobrinho, e mais alguns neudofanáticos.

Neudo diz que vai levar a sua candidatura até o fim. Mas, no fundo, teme que a Lei da Ficha Limpa abata seu voo em plena campanha. O progressista assegura que seus advogados estudaram todos os processos que ele responde na Justiça Federal e deram o aval para que se apresente como pré-candidato. Neudo responde a mais de 40 processos na justiça federal.

Relembrando: segundo a Justiça Federal, Neudo Campos comandou o maior esquema de corrupção da história recente de Roraima. O esquema desbaratado em 2003 e que ficou conhecido como "escândalo dos gafanhotos" funcionava assim: servidores fantasmas recebiam salários por procuração e repassavam parte do dinheiro para deputados estaduais. Neudo foi apontado pelas investigações da Polícia Federal como o cabeça da quadrilha. Ele nega participação no esquema e diz ter sido vítima da perseguição por parte de um juiz federal que atua em Roraima.

Mesmo enrolado com a justiça federal, o progressista é uma forte ameaça para as pretensões de reeleição Chico Rodrigues, como também é uma pedra no meio do caminho de Ângela Portela. Neudo surgiu para bagunçar o coreto desta campanha, onde a banda dos outros candidatos ensaiavam para desfilar tranquila. A campanha com ele será diferente. Rachou a oposição ao meio. No entanto, ele não é um candidato nem melhor nem pior que os demais.

O ponto emblemático das eleições deste ano reside no fato de que entre os nomes postos para a disputa pelo governo não tem nenhuma novidade real, nenhuma nova liderança, nada. Os políticos de sempre estarão na disputa de sempre pelo poder de sempre.

O único diferencial, se ele existe, é o fato de que José de Anchieta, o ex-governador mais impopular das últimas duas décadas em Roraima, será também o candidato ao Senado com credibilidade zero, e que terá como principal divisor de votos o ex-aliado, o deputado federal Luciano Castro (PR), que está decidido a alçar voo mais alto.

Anchieta é, por assim dizer, de longe, o candidato mais antipatizado de todos. Mais, aí também não reside nenhuma novidade. Ele já era o governador mais antipatizado de todos.

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