OPINIÃO
10/10/2014 14:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Apesar de ficha-suja, Neudo Campos demonstra força política e elege até um "poste" em Roraima

Ag. Câmara

As eleições deste ano em Roraima tem se mostrado atípicas, desde o começo. Pouca movimentação nas ruas, candidatos sem muito apelo (fora Neudo Campos) e três concorrentes de um mesmo grupo ao Senado. São coisas do tipo que só acontecem em nesse pedaço extremo do Brasil. No fim das contas, o resultado se mostrou igualmente atípico para um lugar onde a máquina governista sempre foi praticamente imbatível, desde que o finado Ottomar de Souza Pinto aportou em Roraima e se elegeu o primeiro governador do ex-Território Federal então transformado em estado pela Constituição de 1988.

Neudo Campos (PP), o político tido como um dos mais "ficha-suja" do País, iniciou a campanha afirmando que ganharia a eleição ainda no primeiro turno. Viu-se abatido em pleno voo pela Justiça Eleitoral que confirmou a sua condição de inelegibilidade e foi obrigado a sair de cena. Mesmo assim, terminou o primeiro turno das eleições em alta em Roraima. Com o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR), Neudo apresentou sua esposa Suely Campos - seu "poste" íntimo e pessoal - para substitui-lo e assim conseguiu vencer com folga seu principal oponente, o candidato à reeleição Chico Rodrigues (PSB).

Nas entrevistas que concedeu durante a campanha, como candidato, Rodrigues afirmou por várias vezes ser ele o herdeiro político de Ottomar Pinto, o político populista, carismático amado e venerado pela população do Estado de Roraima. Mas quem não só se mostra herdeiro do velho brigadeiro, como também demonstra ter o mesmo poderio político junto ao eleitorado, é Neudo Campos. Esse fato comprova, por si só, o quanto Roraima é um estado carente de lideranças políticas realmente dignas dessa definição.

Bom, mas prossigamos o raciocínio sobre as eleições. Uma vez encerrada a votação e iniciada a contagem de votos, na tarde do último domingo (5), Suely Campos começou a aparecer com a votação zerada em todas as sessões eleitorais. Não demorou para que a candidata ao governo, junto com seu marido Neudo Campos e sua assessoria jurídica aportasse em fúria no TRE cobrando explicações e fazendo acusações de que a Corte Eleitoral estava patrocinando uma fraude para beneficiar seus adversários.

O escarcéu e a pressão foram tamanhos, que o desembargador Mauro Campello, presidente do Tribunal, se viu obrigado a providenciar uma apuração mecânica paralela para fornecer pela imprensa a votação de Suely. Houve rumores de que Neudo teria conclamado os simpatizantes da candidata para invadir uma emissora de rádio que noticiava que o registro de candidata de Suely Campos havia sido negado pelo TSE e daí a sua votação ter sido anulada.

O impasse levou o Fantástico, da Rede Globo, a cometer uma gafe terrível. O programa dominical chegou a anunciar a vitória do atual governador Chico Rodrigues no primeiro turno.

Acalmados os ânimos e finalizada a apuração, a candidata progressista saiu vitoriosa no primeiro turno com 100.973 votos. Chico Rodrigues ficou em segundo lugar com 91.578 sufrágios. Os dois vão disputar o segundo turno no dia 26 de outubro.

Falando ainda das coisas atípicas que parece acontecer somente em Roraima, caso Suely ganhe também o segundo turno das eleições para governo, teremos uma governadora apenas figurativa. Quem vai mandar no governo, de fato, é Neudo Campos. Ele passou toda a campanha afirmando que também iria governar, que quem votasse em Suely estaria votando Neudo. Não foi à toa que, uma vez impugnado pela Justiça Eleitoral, ele foi buscar uma candidata substituta na própria alcova. Ao anunciar a substituição, disse que só confiava na esposa, que já havia sido traído outras vezes.

Corta. Voltemos para o presente. Já na segunda-feira, começaram a surgir os primeiros apoios à candidatura de Suely para o segundo turno. Terceira colocada na disputa com 43.897, a senadora Ângela Portela (PT) não perdeu tempo e já se juntou às fileiras suelyanas. Assim também o fez o vencedor das eleições para o Senado - ex-vereador Telmário Mota, autointitulado de "a máquina do trabalho".

Aliás, Telmário começou a campanha como o grande azarão entre os candidatos e se transformou na grande surpresa das eleições para senador. Desbancou o experiente deputado federal Luciano Castro (PR), que começou a disputa como o preferido dos eleitores, e humilhou o ex-governador José de Anchieta (PSDB). Este, do alto da sua arrogância e impopularidade, teve de engolir um terceiro lugar, com pífios 48.309 votos.

Além do ex-governador Anchieta, Telmário Mota ainda deixou o senador Romero Jucá (PMDB) "pianinho", como ele passou a campanha inteira dizendo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Jucá indicou seu filho Rodrigo Jucá como candidato a vice-governador na chapa de Chico Rodrigues e viu o sonho da vitória no primeiro turno naufragar na onda preparada por Neudo.

O segundo turno vem aí e promete mais emoções.

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