OPINIÃO
05/04/2016 13:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Quem são os fascistas?

O fascismo deve ser levado a sério. Por isso mesmo deve ser exposto ao ridículo. A pretensão de intimidar e controlar todo um país é fruto do delírio daqueles que, embriagados pelo poder, pensam ter o direito de enfiar suas visões ideológicas goela abaixo das pessoas.

ASSOCIATED PRESS
An anti-government protestor carries a Brazilian flag with the message in Portuguese:

O deputado Sibá Machado (PT-AC), conhecido por democraticamente ameaçar civis no Plenário da Câmara, fez um comovente apelo público nas redes sociais. Nele, o deputado clama: não permita que o fascismo tome o Brasil!

Holocausto!Imagens do Horror!Não Permita que o FASCISMO tome o Brasil!

Publicado por Sibá Machado Oliveira em Domingo, 3 de abril de 2016

É um pedido honrado, tão nobre quanto o Partido dos Trabalhadores. Mencionados nos corredores de universidades e nas páginas de revistas com fetiche pelo vermelho, os fascistas são tão badalados quanto obscuros. Conheçamos então alguns traços do fascismo, para tomarmos uma atitude frente ao alerta de Sibá.

Controle estatal da economia

Os fascistas querem que o governo exerça autoridade sob a produção e o comércio. Defendem o Estado grande, que faz conchavos com corporações e sindicatos para avançar sua agenda.

As pessoas comuns são impedidas de definir o rumo do mercado, já que existe o grave perigo delas desconhecerem que a elite política sabe o que é melhor para elas.

Controle estatal da imprensa

Os fascistas querem que o governo regule a imprensa com firmeza. Os jornais devem atuar segundo as regras do Estado, sem poderem se afastar daquilo que o governo considera ser o papel adequado da imprensa na sociedade.

Mas é lógico que ainda existirá plena liberdade capacidade para a imprensa realizar duras críticas reflexões sobre como o Partido destruiu o país poderia ter feito um pouco melhor a sua gestão, pela qual o povo lhe deve gratidão.

Coletivismo

Os fascistas afirmam que a sociedade não é formada por pessoas independentes, mas grupos sociais. O individualismo é mesquinho e não reflete a real identidade do cidadão. O grupo que você pertence é importante, sua atitude diante da vida é irrelevante.

No melhor estilo medieval, os cidadãos de cada casta nascem com uma rivalidade arraigada, sendo o grande poder do Estado justificado pela sua função de mediar tais conflitos sociais. Tal condição é real, sendo que o governo jamais tentaria jogar pessoas umas contra as outras através de peças de propaganda na imprensa. Principalmente se a imprensa for controlada democratizada.

Nacionalismo

Os fascistas valorizam o nacionalismo, afirmando que a riqueza sob domínio do Estado é um patrimônio e orgulho de todos.

O domínio dos políticos sobre empresas e recursos é explicado de formas sensatas, como repetir ''O pré-sal é nosso!'' exaustivamente em comícios partidários.

Militância fardada

Os fascistas reconhecem a importância de uma militância organizada e combativa, pronta para defender o Partido contra os golpistas lunáticos que ousam querer que o governo pare de se meter em cada canto de suas vidas.

A violência política é sempre uma possibilidade, caso os teimosos opositores não sejam intimidados pelos militantes leais. Mas se eles levarem a sério quando os coletivos partidários afirmarem que pegarão em armas e incendiarão o país, tudo ficará bem!

Culto à personalidade

Os fascistas sabem a imensa utilidade de eleger um líder cujos atos eles defenderão a despeito de qualquer apelo à lógica, empatia ou humanidade que seus incompreensíveis opositores tentem lançar sobre eles.

Eles tem a perfeita consciência de que todo ser humano pode errar. Exceto nos casos em que o Líder é acusado de lavar dinheiro, comprar o Congresso em megalomaníaca pretensão totalitária, acobertar assassinatos de prefeitos do próprio Partido e organizar o maior esquema de corrupção da história de sua nação. Mas fora esses, eles estão perfeitamente dispostos ao diálogo! Se não aparecer nenhum crime ou vexame novo.

Pare o fascismo!

Vivemos em tempos onde os fascistas não mais escondem seu discurso de ódio e golpismo. Se antes fingiam civilidade, hoje são abertamente hostis aos cidadãos fartos de suas atrocidades. Os fascistas lutarão fanaticamente pelo seu projeto de poder, e aos defensores da República só resta assumir o dever de dete-los.

O fascismo deve ser levado a sério. Por isso mesmo deve ser exposto ao ridículo. A pretensão de intimidar e controlar todo um país é fruto do delírio daqueles que, embriagados pelo poder, pensam ter o direito de enfiar suas visões ideológicas goela abaixo das pessoas.

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