OPINIÃO
11/09/2015 12:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

O livre-mercado como saída para a Crise

A superação da atual Crise passa por constatar que os agentes estatais são poderosos demais para a sociedade fiscalizar sua atuação e impedir decisões catastróficas.

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A piora do quadro econômico é um assunto que preocupa as famílias brasileiras, sobretudo as mais pobres. No cenário de recessão e alta inflação, a renda doméstica despenca e as pessoas encontram dificuldade para atender suas necessidades.

Temos observado uma reação do governo no sentido de buscar reverter a situação por meio de mais tributos e cortes de despesas, o chamado ajuste fiscal. A intenção é encher o caixa para cobrir os rombos orçamentários e em seguida retomar os gastos estatais que antes eram um instrumento para o crescimento econômico dirigido pelo Estado.

Tal objetivo não será alcançado. Os cortes estatais são pífios e, mesmo com aumentos tributários, terminaremos o ano em déficit.

Saquear os bolsos da população não fecha a conta. O modelo estatista se esgotou e a sociedade brasileira não tem mais capacidade de bancar o custo da máquina pública e as diversas regulações econômicas impostas sobre o mercado.

Vale enfatizar que "mercado" é algo que vai além de Marcelo Odebrecht ou do Bradesco. Aliás, tirando suas aventuras em Curitiba, o empreiteiro vai bem, obrigado. O mesmo vale para o banco que não apenas possui lucros recordes como também ocupa o Ministério da Fazenda.

O mercado é o conjunto de agentes econômicos em uma sociedade que trocam entre si com o intuito de melhorar sua situação em relação à sua condição anterior. São os empreendedores, comerciantes e produtores comuns que se veem prejudicados pela burocracia estatal, os altos impostos, as exigências governamentais intermináveis e os encargos trabalhistas.

Para as grandes empresas, quer façam obras superfaturadas ou cobrem taxas abusivas de seus clientes, o estabelecimento de altas barreiras legais é desejável.

A elitização da economia deixa apenas os que têm condições de bancar os custos regulatórios como ofertantes dos produtos e serviços que os brasileiros precisam. Azar dos clientes e consumidores.

Eis a prática do corporativismo, em que o poder do Estado é utilizado pelos grandes empresários com o intuito de perpetuar lucros sem a necessidade de enfrentar a livre-concorrência.

Portanto, a questão não é a falta desta ou daquela ação do governo sobre a economia. Pelo contrário: é a própria intervenção governamental.

O melhor jeito de ajudar o Brasil é parar de atrapalhar o cidadão. Este já trabalha bastante e se beneficiaria caso o Estado parasse de tratar o empreendedorismo quase como um crime.

Enquanto o brasileiro compreende que os políticos não são confiáveis e os serviços públicos são medíocres, comete-se o erro de querer solucionar o problema aprofundando o quadro que o gerou. Se a ''solução'' para um Estado inchado e gastador for clamar que o Estado cumpra novas tarefas, o resultado será a gradual destruição da capacidade produtiva da sociedade.

A superação da atual Crise passa por constatar que os agentes estatais são poderosos demais para a sociedade fiscalizar sua atuação e impedir decisões catastróficas.

A fraca relação de causa e consequência no planejamento econômico explica o baixo custo-benefício de nossos sacrifícios. Afinal, os erros, negligências e corrupções que vemos diariamente não afetaram os bolsos daqueles que ditam as ordens.

Esse é um dos motivos pelos quais o livre-mercado é um arranjo vantajoso para assegurar os interesses da sociedade. Nele, aqueles que ofertam produtos e serviços não são blindados por regulações estatais ou conchavos com o governo.

Eles estão sempre sob a pressão daqueles que adquirem seus serviços e produtos, os cidadãos comuns que buscam a melhor qualidade pelos menores preços.

Erros e negligências são punidos com prejuízos e falência. A corrupção, por sua vez, é ineficaz. Não existe propina que possa comprar a soberania do consumidor.

O Brasil precisa por fim ao culto da elite governamental como salvadora da pátria, passando a apostar num modelo que atenda às demandas da sociedade da base para o topo, dando incentivos para que a oferta de produtos e serviços valha cada centavo retirado do bolso.

Por uma nação que se desenvolva tendo como base o pragmatismo e poder de decisão do trabalhador, não imaginando como seria viver na propaganda do governo.

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