OPINIÃO
15/11/2015 23:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Estado Islâmico em Paris: A tirania bate na porta, e o Ocidente deve se unir contra ela

Uma sociedade livre só pode sobreviver caso seus integrantes estejam dispostos a se opor vocalmente ao discurso de tiranos e utilizar a força diante daqueles que buscam deixá-la de joelhos por meio da violência e do terror.

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe. Deve-se temê-lo mais que a um assassino. O traidor é a praga."

(Atribuído a Marcus Tullius Cicero, discurso ao Senado Romano, 42 A.C)

22 de Junho de 1940 é uma data lembrada com amargura pelos franceses.

Esse evento marca a rendição de uma nação livre ao poder de uma força radical, intolerante e determinada a destruir seus adversários: o nacional-socialismo.

É o resultado final de anos de covardia ocidental, anos em que a Europa muito ouviu os Neville Chamberlain e pouco ouviu os Winston Churchill. Não subiu-se o tom diante das radicais ações nazistas, mas buscou-se aplacar os beligerantes aceitando tudo que desejavam.

Entre a honra na defesa de seus valores e uma paz comprada via submissão ao agressor, o Ocidente optou pela última. No final, acabou sem nenhuma.

A tragédia na qual Paris mergulhou na sexta-feira (13) não foi a primeira vez em que assistimos ao totalitarismo islâmico tentar intimidar o Ocidente a desistir de seus valores.

A justificativa do massacre de inocentes seria a atuação da França no conflito sírio, onde o Estado Islâmico considera absurdo ter oposição à sua busca por poder e às suas cruéis execuções de inocentes tendo como único motivo o desejo de causar terror.

Tão razoável quanto o massacre no jornal satírico Charlie Hebdo, onde 12 pessoas morreram e 11 foram feridas pelo mero fato de que terroristas islâmicos se ofenderam com quadrinhos humorísticos.

O ataque à embaixada americana em Benghazi, no ano de 2012, também teve como um de seus alegados pretextos o filme anti-Islã A Inocência dos Muçulmanos.

A semelhança entre os três casos? A irracionalidade e desproporcionalidade entre os motivos das ações e as ações em si.

Não existe diálogo possível com um grupo que, ao ler ou assistir a algo que considera detestável, decide sair matando pessoas a sangue-frio.

Não existe diálogo possível com um grupo que, massacrando inocentes e buscando subjugar povos inteiros, se revolta com uma força militar que impede seu avanço, decidindo então covardemente atacar inocentes desarmados como retaliação.

O maior problema do Ocidente hoje é o sentimento de autoculpa, a ideia de que as desculpas de canalhas sanguinários devem ser levadas a sério.

A corrosão de nossa base moral tem como grandes contribuidores aqueles que reproduzem as mentiras dos grupos terroristas.

O que o nacional-socialismo pediu no passado, o Estado Islâmico pede no presente: se acovarde diante de nossas atrocidades e talvez deixemos que você seja nossa última vítima.

Esta será a atitude ocidental? Impediremos a liberdade de pensamento e expressão nos cinemas e jornais pelo medo de intolerantes sanguinários?

Pediremos desculpas ao bombardear genocidas, prometendo não fazer isso de novo e pedindo polidamente para que parem de decapitar pessoas?

Uma sociedade livre só pode sobreviver caso seus integrantes estejam dispostos a se opor vocalmente ao discurso de tiranos e utilizar a força diante daqueles que buscam deixá-la de joelhos por meio da violência e do terror.

A tolerância com a divergência é benéfica quando os dois lados desejam viver em harmonia e cooperação.

Quando um deles tem como meta a destruição do outro, a tolerância é suicídio.

Menos Chamberlain, mais Churchill.

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