OPINIÃO
23/11/2015 12:43 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

A vitória de Macri: Um sopro de liberdade na América Latina

Neste domingo, 12,9 milhões de argentinos definiram o novo ocupante da Casa Rosada. Os 12 anos da era Kirchner acabam com uma renovação política, tendo o candidato oposicionista Mauricio Macri vencido o governista Daniel Scioli em segundo turno, evento inédito no país.

Neste domingo, 12,9 milhões de argentinos definiram o novo ocupante da Casa Rosada. Os 12 anos da era Kirchner acabam com uma renovação política, tendo o candidato oposicionista Mauricio Macri vencido o governista Daniel Scioli em segundo turno, evento inédito no país.

Macri não representa apenas uma ruptura com o kirchnerismo, como é o primeiro presidente eleito em mais de um século que não se identifica nem com o populismo nem com a social-democracia. É um conservador de viés liberal, algo que não se via na Argentina desde o começo do século XX, quando a nação era uma das mais prósperas do continente americano.

A vitória de seu projeto nas urnas representa uma reviravolta na diplomacia e na economia argentina. Macri promete suspender a Venezuela do Mercosul pelas atrocidades que o regime de Maduro vem praticando com a oposição democrática. Ele também deseja aproximar a Argentina dos Estados Unidos e da Aliança do Pacífico, o promissor bloco comercial que tem países como Chile, Colômbia e México como membros.

Nosso governo escolheu a confrontação sistemática com quase o mundo inteiro, e nos deixou numa situação de muito isolamento. É preciso ir até o mundo, é preciso recuperar mercados. (Mauricio Macri, presidente da Argentina)

A liberação do câmbio, o fim do controle de preços sobre produtos básicos e do protecionismo comercial e a retomada da confiabilidade das estatísticas governamentais são algumas das medidas destinadas a colocar a economia de volta nos eixos.

Pragmático, Macri rejeita a ideia de continuar a apoiar o ideário bolivariano que tomou conta de boa parte da América Latina, onde o Estado concentra o poder decisório na economia, altos gastos sociais atenuam a pobreza generalizada, o governo manipula a informação acessível para a população e o comércio se dá principalmente com as demais nações populistas do bloco.

Com a Argentina alternando entre estagnação e recessão, taxa de inflação de dois dígitos persistente, imensos rombos orçamentários e qualidade de vida dos mais pobres em decadência, era esperado que o eleitorado estivesse farto da esquerda e desejasse mudanças de peso, ainda que seja surpreendente ver os governistas perdendo mesmo com o forte Estado argentino a seu favor.

É este mesmo poder governamental que promete uma dura batalha para o conservador implementar suas reformas, enfrentando resistência tanto no Congresso quanto entre os governadores estaduais.

Além de trazer perspectiva para seu próprio país se tornar livre e próspero, Macri traz um sopro de esperança e liberdade para todo o continente. É possível vencer o discurso do medo, é possível vencer com bandeiras de tenaz oposição ao ideário esquerdista.

Tal conquista animará a oposição venezuelana na reta final para as eleições legislativas no país, que devem ocorrer em dezembro. Trará efeito similar para os liberais e conservadores brasileiros, sobretudo pelo embaraço de Lula e Dilma de terem apoiado Scioli, cuja derrota sinaliza que o ideário defendido pelo PT está em derrocada mesmo para além de nossas fronteiras.

A trajetória de Macri será difícil, mas a disputa contra o populismo nunca prometeu ser fácil. Sua ascensão representa um marco na política latino-americana: o começo da virada contra o bolivarianismo, a retirada do peso esmagador do Estado grande dos ombros do cidadão. Somente a defesa das liberdades individuais pode trazer a prosperidade sonhada e o fim da tirania dos governos populistas que saqueiam seus povos e devolvem migalhas.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: