OPINIÃO
15/03/2016 11:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

A queda da esquerda e a ascensão dos conservadores e liberais

O 13 de Março indica não apenas o começo do fim para o governo Dilma, mas a consolidação da transição que pode acabar com a hegemonia política da esquerda no Brasil. Com petistas e tucanos em descrédito, as eleições de 2016 prometem uma disputa onde a influência de liberais e conservadores se tornará mais significativa.

Agência Brasil/Flickr
Manifestação contra o governo e a corrupção na Esplanda dos Ministérios ( José Cruz/Agência Brasil)

A maior manifestação da história do Brasil não foi feita pela esquerda, mas contra ela.

O retumbante sucesso do 13 de Março enterrou qualquer chance da esquerda esconder a verdade: os brasileiros não aceitam o governo criminoso e ilegítimo do Partido dos Trabalhadores.

Pela destruição causada pelo projeto de poder petista e a corrupção sem precedentes via Petrolão, o povo exige tanto o Impeachment de Dilma quanto a prisão de Lula.

Tendo o protesto superado com facilidade a marca de 3 milhões de manifestantes, é improvável que a esquerda responda à altura: entre radicais ideológicos e militantes pagos, a marcha de camisas vermelhas não fará frente a tamanho apoio civil como o visto no domingo.

É a quarta vez, e em números recordes, que os brasileiros mostram que sua paciência acabou. Os políticos que saquearam a República em prol de sua agenda ideológica devem ser punidos.

Oh, posição!

Entretanto, na Esplanada dos Ministérios, era possível perceber outra fonte de indignação que não o PT, podendo ser resumida em uma frase corrente: o próximo é o PSDB.

O murmúrio também estava presente em São Paulo, e transformou-se em ação. Em plena Avenida Paulista, Alckmin e Aécio foram expulsos sendo chamados de ''corruptos'' e oportunistas.

O Instituto Paraná constatou que quase 80% dos paulistas presentes na manifestação consideram a oposição omissa ou passiva.

É um reflexo da atitude das lideranças do PSDB, que nos últimos doze meses oscilaram entre a inércia e o desserviço. Quando não hesitantes em depor Dilma diante das descobertas da Lava-Jato, os tucanos esnobavam o Impeachment pelo qual a população clamava. Declarações de FHC, Serra, Alckmin e Aécio eram fartas nestes dois sentidos até os últimos meses de 2015.

Some isso ao fato de que a agenda social-democrata é vista cada vez mais como uma versão moderada do petismo e políticos do PSDB são citados por delatores na própria Lava-Jato com inquietante frequência. É um cenário que leva o principal partido da oposição a ser quase tão rejeitado quanto o partido do governo.

Da direita, com amor

Quando relembramos a atitude tucana no passado, é fácil constatar que os protestos não chegaram ao nível do 13 de Março graças a eles, mas apesar deles. O movimento pró-impeachment tem origem civil, principalmente entre as crescentes parcelas da população que se identificam com o liberalismo ou o conservadorismo.

Isso fica claro por uma diferença de tratamento no próprio 13 de Março: ao passo que as lideranças tucanas foram enxotadas, apoiadores do NOVO e figuras como Jair Bolsonaro transitavam sem problemas nas multidões verde-amarelas.

Enquanto os primeiros divulgavam suas ideias de diminuição do Estado e valorização das liberdades individuais, o último se colocava como o presidenciável que defenderá a moralidade tradicional caso chegue ao Planalto.

São casos que demonstram a boa aceitação dos manifestantes às alternativas políticas oferecidas pela chamada direita brasileira. Liberais e conservadores, embora divergentes, estão fartos tanto do petismo quanto da polarização PT-PSDB.

O 13 de Março indica não apenas o começo do fim para o governo Dilma, mas a consolidação da transição que pode acabar com a hegemonia política da esquerda no Brasil. Com petistas e tucanos em descrédito, as eleições de 2016 prometem uma disputa onde a influência de liberais e conservadores se tornará mais significativa.

A proliferação de candidatos e o bom desempenho eleitoral destas vertentes servirá de termômetro para saber seu potencial para conquistar cadeiras no Congresso e marcar a corrida presidencial em 2018.

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